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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Nossa Senhora das Mercês e os Mercedários.


Este título da Virgem Maria deriva da Ordem das Mercês, cujo apostolado da redenção de cativos era na Idade Media chamado de obra de mercê ou misericórdia. A Ordem atribuiu sempre à Virgem Santíssima uma especial participação em sua fundação, motivo pelo qual a honrou ao longo dos séculos com especial devoção, seguindo o exemplo de São Pedro Nolasco, que já em 1249 dedicou-lhe uma Igreja. bem cedo, os religiosos deram à festividade geral da Virgem um sentido próprio. em 1600, foi-lhes permitido celebrar sob o título das Mercês a festa da natividade de Maria, e em 1616 é concedida a celebração litúrgica com textos próprios. em 1696, seu culto foi estendido a toda a Igreja.

Origem da devoção das Mercês

O vocábulo mercê, no séc. XIII, era sinônimo da obra de misericórdia corporal por antonomásia, qual era a de redimir cativos. Assim, por exemplo, as casas da Ordem de São Tiago, que costumavam receber cativos, são chamadas casas de mercê, na documentação medieval.

A 29 de abril de 1249, os frades obtiveram licença do bispo de Barcelona, Dom Pedro de Centelles, para edificar uma igreja dedicada a Santa Maria, em sua Casa-Hospital de Santa Eulália, construída próxima ao mar. O povo barcelonês, amante da brevidade, começou a chamar a comenda dos frades mercedários, singelamente, casa da Ordem das Mercês, e mais simplesmente ainda, As Mercês. Em consequência, a imagem de Santa Maria que todos veneravam na nova igreja da Casa das Mercês de Barcelona começou a ser conhecida como Santa Maria das Mercês. Nessa igreja, iniciou-se o culto a Maria com o título de Mercês, a partir de onde se estenderá a todas as igrejas em que se estabeleçam os mercedários. Doravente, todas as igrejas que construam serão dedicadas à sua Fundadora, a Virgem das Mercês, ou a ela terão dedicado um de seus altares.

Como atos em honra de Santa Maria das Mercês, a Ordem desde sue início praticou:
A entrega do hábito de Santa Maria aos novos frades e aos confrades. Dizia-se ao postulante: – Queres receber o hábito de Santa Maria? – e o peticionário respondia: - sim, quero. O Ofício diário de Santa Maria, obrigatório para todos os clérigos e o correspondente para os leigos.
A Missa e a Salve – rainha dos dias de sábado. É muito provável que o belo costume da Missa de Santa Maria e doa Canto da Salve – rainha em sua honra nos dias de sábado tenha sido introduzida na Ordem por disposição do próprio São Pedro Nolasco. Constante que, em 1307, Galcerán de Miralles legava à igreja da comenda de Nossa Senhora de Bell-lloch a quantidade de três libras de cera, para que mantivessem um círio acesso todos os sábados durante a celebração da missa da virgem e o canto da Salve-rainha.

Atos de imemorial culto mariano, e que bem poderiam provir dos tempos de Pedro Nolasco, eram a despedida dos redentores, no partir para a terra de mouros, que se fazia diante do altar da igreja; e na volta, a procissão de redentores e redimidos, com seus estandartes, até a igreja das Mercês, para agradecer à Celestial Protetora, pelo favor de seu amparo nas peripécias da viagem redentora.

O nome de Maria no título da Ordem

Um dos títulos com que, no início, era chamado o Instituto fundado por Pedro Nolasco, como já se disse, foi Ordem das Mercês ou da Misericórdia dos cativos. A esta denominação muito rapidamente se somou o nome de Maria.

A primeira vez que se encontra documentalmente o nome de Maria no título da ordem é na bula do papa Alexandre IV, Prout Scriptura testatur, dada em Perúgia a 3 de maio de 1258. O papa, escrevendo aos arcebispos, bispos, abades, etc., para informá-los das graças e das faculdades concedidas aos mercedários, por motivo da obra benéfica que praticam em favor dos cativos, diz: “Dado que o Mestre e os frades da B. Maria das mercês, outras vezes chamados de Santa Eulália... trabalham com todas as suas forças...”. O Papa, portanto, uniu o nome de Maria ao vocábulo mercê, obtendo a denominação Bem-aventurada Maria das Mercês, como parte do título da Ordem. Do contexto da bula infere-se que que o nome de Maria das Mercês já era conhecido. Não se deve supor que o Papa tenha usado o nome de Maria sem razão, nem o impôs por autoridade; ademais, o Papa não enviou a bula diretamente aos frades da Ordem. Há de se buscar uma explicação lógica na interdependência entre a Virgem Santíssima e a Ordem dedicada à redenção dos cativos. Os frades das Mercês estavam persuadidos de que a Virgem Maria, Mãe de Deus, interveio de modo direto na fundação da Ordem. Em consequência, os legisladores das constituições de 1272 oficializaram o nome de Maria no título, chamando-a: Ordem da Virgem Maria das Mercês da redenção dos cativos de Santa Eulália.

Por causa dessa convicção, nos documentos do séc. XIII não aparece nunca o nome do primeiro Mestre, Pedro Nolasco, no título da Ordem; para que toda glória e toda honra da fundação fossem atribuídos à celestial Senhora, mensageira da Trindade, àquela que a Ordem considera como fundadora e Mãe. Desde o historiador mercedário Nadal Gaver (1445), essa presença de Maria concretizou-se no relato da aparição da Virgem Maria a São Pedro Nolasco ordenando-lhe, porque era vontade de Deus, fundar uma Ordem em sua honra, destinada à redenção dos cativos.

Imagens de Maria, igrejas e santuários mercedários

Em todas as casas da Ordem, existiram desde o começo imagens de Maria das Mercês. A primeira foi de Barcelona, da Virgem sentada como o Menino, esculpida em mármore branco, mandada fazer por Pedro Nolasco e hoje conservada no museu da catedral barcelonesa. No séc. XIV, foi substituída, por ser demasiado pequena para o templo que se tornava grande, por outra imagem feita pelo escultor da catedral de Barcelona, Bernardo Roca, segundo contrato estipulado a 13 de setembro de 1361 entre o referido artista e o prior de Barcelona, Frei Bonananto de Prixana. É a que, como Padroeira de Barcelona, hoje preside o altar-mor da Basílica das Mercês da dita cidade.

Além da veneração e do culto a Maria das Mêrces, durante o primeiro século da Ordem Pedro Nolasco e seus frades sentiram especial predileção por igrejas em que se tributava culto a Maria, e, ou porque lhes foram confiadas as já existentes, ou porque a Ordem construiu-as e dedicou à invocações lugares de culto a Maria. O primeiro e mais notável santuário mariano da Ordem das Mercês, no séc. XIII, foi o de Santa Maria de EL Puig, em Valência.

Existem também outras igrejas dedicadas à Virgem: Santa Maria dels Prats (Tarragona), Santa Maria de Sarrion (Teruel), Santa Maria de Arguines (Castellón), Santa Maria de El Olivar (Estercuel), Santa Maria de Acosta (Huesca), Santa Maria de Montflorite (Huesca), Santa Maria de Perpignan (França) e Santa Maria de El Puig de Osterno ou Montetoro, Santuário Mariano da ilha de Menorca.No Brasil, existe 34 Paróquias dedicadas a Nossa Senhora das Mercês.

Marianismo mercedário

Está fora de toda dúvida que a Ordem das Mercês nasceu, cresceu e atuou em clima saturado de amor e culto à sempre Virgem Maria.

Sem a intervenção, presença e apoio solícito da Celestial Rainha e Mãe, não podia explicar-se adequadamente: nem a origem da Ordem; nem o atrativo que sobre Pedro Nolasco e sues seguidores imediatos exerceram as igrejas dedicadas a Santa Maria; nem a ocorrência de consagrar e dedicar a Santa Maria a igreja da casa de Barcelona, cabeça e fundamento da Ordem, quando esta era conhecida por Casa, Hospital e Ordem de Santa Eulália; nem o empenho tenaz de introduzir o santo nome de Maria título da Ordem, depois de ter-se provado e usado vários; nem por que hábito branco da Ordem chamou-se hábito de Santa Maria; nem como uma Ordem de poucos frades e caráter militar; fundada por um simples leigo para a redenção de cativos foi capaz de introduzir na igreja uma nova invocação mariana, a de Santa Maria das Mercês.

Prova deste marianismo da Ordem, desde o início, é que todas as doações para a redenção eram feitas em nome de Maria. São numerosos os documentos existentes de doações feitas por benfeitores à Ordem para as redenções, em que se especifica a motivação mariana. Ferrer de Portell e sua mulher Escalona “para glória de Deus e da Virgem Maria e o bem de suas almas”, a 25 de outubro de 1234, ofereceram seus bens a Pedro Nolasco para redenção dos cativos. Igualmente Ramón de Morella, a 3 de março de 1245, no doar o hospital de Arguines a Pedro Nolasco, fê-lo << em honra de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Bem-aventurada Virgem Maria, sua mãe>>. O Rei Jaime II, a 15 de maio de 1300, outorgava um benefício à Ordem << por reverência à Virgem Maria>>.

Se os fiéis davam essas esmolas para a honra de Maria, significa que os religiosos solicitavam-nas em seu nome, coisa que não teriam podido fazer se não estivessem convencidos de uma particular intervenção de Maria na fundação da Ordem.

Fonte: Site dos Frades Mercedários.

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