terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Santificados na Família

Na semana que os "representantes" do povo brasileiro lá em Brasília aprovaram a vergonhosa lei que descriminaliza o aborto até o terceiro mês de gestação, vale a pena ler um artigo maravilhoso que fala da família e do quanto ela pode nos santificar!

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Deus nos criou para vivermos em família. Ele mesmo é uma Família, Três Pessoas distintas em uma única natureza, e quis que de certa forma isso se reproduzisse na terra, em cada lar. Quando o Catecismo fala da família, começa dizendo que:

‘A família cristã é uma comunhão de pessoas, vestígio e imagem da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sua atividade procriadora e educadora é o reflexo da obra criadora do Pai’ (§2205).

A família é assim, por vontade de Deus, ‘imagem’ da Santíssima Trindade; por isso ela é sagrada, e meio especial de nossa santificação.

Jesus, ao vir ao mundo, não precisava necessariamente viver em uma família, mas Ele assim o quis, para deixar-nos o seu exemplo e ensinamento sobre a nobreza e santidade da família. Quis ter uma mãe e um pai (adotivo), e foi obediente e submisso a eles (cf Lc 2,51).

Jesus não precisava ter um pai terreno, já que o Seu Pai é o próprio Deus. Mas Ele quis ter um pai adotivo, legal, como chamavam os judeus. Quando José quis abandonar Maria, em silêncio, para não difama-la, Deus mandou o Anjo dizer-lhe: ‘José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois, o que nela foi concebido veio do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho a quem tu porás o nome de Jesus’ (Mt 1,20-21). É como se Deus dissesse a José: eu preciso de você, eu quero você para ser o pai diligente da sagrada Família. Os pais geram os filhos, mais aqui é o Filho quem escolhe o seu pai.

Jesus quis viver numa família, e ali viveu durante trinta anos, só saindo dela para a sua missão pública e redentora da humanidade. A Família de Nazaré nos dá uma lição de vida familiar.

Como disse Paulo VI: ‘Que Nazaré nos ensine o que é família, sua comunhão de amor, sua beleza austera e simples, seu caráter sagrado e inviolável […]. Uma lição de trabalho […]’ (05/01/64).

Cristo, nascendo e vivendo numa família, redimiu e santificou todas as famílias.

Os que atentam hoje contra os valores sagrados da família: indissolubilidade do matrimônio, fidelidade conjugal, defesa da vida, etc., atentam frontalmente contra Deus. Os que pregam a defesa do aborto, da eutanásia, do divórcio, dos casamentos de homossexuais, dos úteros de aluguel, das experiências com embriões, da concepção in-vitro [bebê de proveta], da limitação da natalidade por quaisquer meios, esses, lutam contra Deus e contra a família.

Vivendo na família de Nazaré, Jesus nos ensinou a importância da submissão e obediência dos filhos aos pais. Ele, mesmo sendo Deus, se fez obediente àqueles que Ele mesmo criou e escolheu para seus pais. Cumpriu em tudo o quarto mandamento que manda ‘honrar’ os pais. Mais do que ninguém obedeceu à Palavra de Deus que diz:

”Quem honra sua mãe é semelhante àquele que acumula um tesouro”.

”Quem teme o Senhor honra pai e mãe” (Eclo 3).

Por ser a família, a própria imagem da Trindade na terra, o Concílio Vaticano II a denominou de ‘igreja doméstica’, e o Papa João Paulo II a chamou de ‘santuário da vida’. É ali que a vida é gerada, cuidada, amada e engrandecida. É no seio da família que o ser humano é construído. Foi no seio da família de Nazaré que o Menino Jesus foi preparado para a grande missão de Salvador dos homens.

Portanto, a família é a grande escola da vida, é o educandário do amor, da fé, da justiça, da paz e da santidade.

É porque a família é hoje tão ofendida pelas pragas da imoralidade, que a sociedade paga um alto preço social: jovens deliquentes, crianças abandonadas, pais separados, homens e mulheres frustrados, tanta violência, tanto crime, tanta morte…

Essas pobres crianças e jovens desorientados, que vivem pelas ruas, perdendo-se nas drogas, no crime, na violência, na homossexualidade e nas bebidas, etc., apenas estão buscando com isso um pouco de calor humano, afeto, que deveriam ter recebido em suas famílias, e não receberam.

O triste espetáculo de crianças e jovens drogados nada mais é do que o fruto da destruição familiar, causado por um mundo sem Deus, sem moral, sem religião.

O filho que foi amado e querido por seus pais, até o fim da sua adolescência, jamais será um desequilibrado ou perigoso para a sociedade.

O Catecismo diz que a ”família é a sociedade natural onde o homem e a mulher são chamados ao dom de si no amor e no dom da vida. A família é a comunidade na qual, desde a infância, se podem assimilar os valores morais, em que se pode começar a honrar a Deus e a usar corretamente a liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade” (CIC nº 2207).

Por tudo o que foi dito até aqui podemos entender o quanto o lar é um local adequado para a santificação dos pais e dos filhos.

”É no seio da família que os pais são para os filhos, pela palavra e pelo exemplo… os primeiros mestres da fé”, ensina a Igreja (LG, 11).

‘É na família que se exerce de modo privilegiado o sacerdócio batismal do pai de família, da mãe, dos filhos, de todos os membros da família, na recepção dos sacramentos, na oração e na ação de graças, no testemunho de uma vida santa, na abnegação e na caridade ativa. O lar é assim a primeira escola de vida cristã e uma escola de enriquecimento humano. É ai que se aprende a fadiga e a alegria do trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e mesmo reiterado, e sobretudo o culto divino pela oração e oferenda de sua vida’ (CIC §1657).

Essas palavras do Catecismo mostram que o lar é a escola das virtudes humanas; logo, lugar de santificação.

Para os pais, a vida conjugal é uma oportunidade riquíssima de santificação, na medida em que, a todo instante, precisam lutar contra o próprio egoísmo, soberba, orgulho, desejo de dominação, etc., para se tornar, com o outro, aquilo que é o sentido do matrimônio: “uma só carne”, uma só vida, sem divisões, mentiras, fingimentos, tapeações, birras, azedumes, mau-humor, reclamações, lamúrias, etc.

A luta diária e constante para ser ‘exemplo para os filhos’, para manter a fidelidade ao outro, para ‘vencer-se a si mesmo’, a fim de se construir um lar maduro e santo, faz com que caminhemos para a na nossa santificação.cpa_familia_santuario_da_vida

O amor do casal é o sinal e o símbolo do amor de Deus à humanidade, e amor de Cristo à Igreja (cf. Ef 5,21s). Ao se por a caminho para conquistar ‘esse amor’, o casal se santifica.

A busca da unidade profunda como a do ‘café com o leite’, o desafio de ‘construir o outro’, alguém querido, a solução conjunta de todos os problemas, o diálogo frequente e amoroso, o respeito mútuo, enfim, a busca da maturidade essencial para a vida a dois, tudo isso santifica o casal.

Além do mais, o conhecimento profundo do ‘mistério do outro’ a luta para aceita-lo e entende-lo, para ajuda-lo a crescer, a paciência, o perdão dado, as renúncias de cada dia, a atenção com o outro para vencer a frieza e a monotonia, o cuidado do lar, da roupa, da comida, do estudo dos filhos, etc., tudo isso concorre para que os pais se santifiquem mutuamente. Deus quis assim, e fez do casamento uma grande escola de santidade. O casal que quiser atingir a perfeição matrimonial, como é o desígnio de Deus, naturalmente chegará à santidade. A casa é para o casal e os filhos, o que o mosteiro é para o monge.

A luta que travamos conosco mesmo para aceitar e suportar os defeitos do outro, a cada dia, com paciência e compreensão, faz-nos santos.

As cruzes do lar, o desemprego, as doenças, as dúvidas, os vícios do cônjuge, a dificuldade com os parentes, a preocupação com os problemas dos filhos, etc., tudo isso, torna-se no casamento como que o ‘fogo’ que queima as ervas daninhas de nossa alma e nos encaminha para a perfeição cristã.

É preciso saber aproveitar toda e qualquer dificuldade do lar para fazer dela um degrau de crescimento na fé e no amor a Deus, pois “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28).

Por outro lado, a enorme tarefa que Deus confia aos pais, na geração e na educação dos filhos, o exercício dessa missão sagrada coopera para a santificação deles.

O Catecismo diz que:

”O papel dos pais na educação dos filhos é tão importante que é quase impossível substituí-los”. E que: ‘O direito e o dever de educação são primordiais e inalienáveis para os pais’ (§2221; FC 36). Para cumprir com responsabilidade essa sagrada missão, os pais devem criar um lar tranquilo para os filhos, onde se cultive a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado. Aí deve ser cultivado a abnegação, o reto juízo, o domínio de si, para que haja verdadeira liberdade.

Diz o livro do Eclesiástico:

‘Aquele que ama o filho castiga-o com frequência; aquele que educa o seu filho terá motivo de satisfação’ (Eclo 30, 1-2).

Esse ‘castiga-o com frequência’ deve ser entendido como ‘corrige-o com frequência’. Mas São Paulo lembra que os pais não podem humilhar e magoar os filhos ao corrigi-los:

”E vós, pais, não deis a vossos filhos motivo de revolta contra vós, mas criai-os na disciplina e na correção do Senhor” (Ef 6,4).
É claro que esse equilíbrio e dedicação que é exigido dos pais para educar bem os filhos, é motivo também de crescimento para os próprios pais. E é bom lembrar aos pais que saber reconhecer diante dos filhos, os próprios defeitos, não é humilhação e sim coerência, e isto facilita guia-los e corrigi-los, como ensina o próprio Catecismo (nº 2223).

”Os filhos, diz o Catecismo, por sua vez, contribuem para o crescimento de seus pais em santidade. Todos e cada um se darão generosamente e sem se cansarem o perdão mútuo exigido pelas ofensas, as rixas, as injustiças e os abandonos. Sugere-o a mútua afeição. Exige-o a caridade de Cristo” (CIC, §2227; Mt 18,21-22).

A Igreja também ensina que os pais, pela graça do matrimônio, receberam o direito e o dever de evangelizar os filhos, iniciando-os, desde a infância, nos mistérios da fé. E fazendo isso os pais estão, de certo modo, evangelizando a si mesmos.
Para os filhos, o dever de honrar os pais, estabelece um verdadeiro programa de santificação.

Lembra a Palavra de Deus aos filhos:

”Honra teu pai de todo o coração e não esqueças as dores de tua mãe. Lembra-te que fostes gerado por eles. O que lhes darás pelo que te deram?” (Eclo 7,27-28).

”Um filho sábio escuta a disciplina do pai e o zombador não escuta a reprimenda” (Pr 13,1).

”Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, pois isso é agradável ao Senhor” (Cl 3,20; Ef 6,1).

”Aquele que respeita o pai obtém o perdão dos pecados, o que honra a sua mãe é como quem ajunta um tesouro. Aquele que respeita o pai encontrará alegria nos filhos e no dia de sua oração será atendido” (Eclo 3,2-6).

Todo o capítulo três do livro do Eclesiástico mostra a importância dos pais na vida dos filhos. A observância dessas normas santificará os filhos e lhes dará a bênção de Deus. Essa bênção é dada através dos pais:

”Honra teu pai por teus atos, tuas palavras, tua paciência, a fim de que ele te dê a sua bênção, e que esta permaneça em ti até o último dia da tua vida.”

”A bênção paterna fortalece a casa de seus filhos; a maldição de uma mãe a arrasa até os alicerces” (9-11).

Um filho abençoado pelos pais é um filho abençoado pelo próprio Deus, porque ”a paternidade humana tem a sua fonte na paternidade divina” (CIC nº 2214).

Infelizmente os filhos já não pedem a bênção para os seus pais hoje, porque não lhes foi ensinado a importância dessa bênção. É preciso resgatar esse costume santo, que torna a vida dos filhos mais santa.

Vemos assim que Deus estabeleceu a família como o meio privilegiado para a nossa salvação e santificação, tanto dos pais quanto dos filhos.

As provações da vida familiar são riquíssimas para a santificação de toda a família. As doenças, as lágrimas, os revezes, enfim as cruzes, não vêm por acaso. Só os pagãos creem no acaso e no destino. O cristão acredita que tudo vem de Deus. Muitas vezes Ele fere o corpo para salvar a alma. Quanta gente, piedosa e devota, que na hora do ‘sofrimento purificador’ se comporta como um pagão! ‘É o destino!… fatalidade! …’

Saber aproveitar as lições dos sofrimentos diários, e acolhê-los com fé, é receber uma multidão de graças do Céu. São Francisco de Assis acolhia a doença com gratidão: ”Senhor, os sofrimentos que me enviais são, aos meus olhos, incomparáveis tesouros. Agradeço a Vossa Misericórdia Infinita, que me castiga neste mundo para me poupar para a eternidade”.

Os sofrimentos do lar são, muitas vezes, mais difíceis de suportar do que os que vêm de fora. São Francisco de Sales dizia que: ‘Ser desprezado e acusado pelos maus é até doce para um homem de coragem; mas, ser repreendido, acusado, maltratado pelas pessoas de bem, pelos amigos, pelos parentes… como é doloroso!’ O Santo dizia que são como ‘picadas de abelhas’, ardem mais do que as das moscas, embora as abelhas produzam um mel tão doce. Os espinhos do lar são as pequenas cruzes com as quais o Senhor nos santifica a cada dia.

Os santos afirmavam que as provações mais difíceis de suportar são aquelas que nos vêm através dos bons, das pessoas que mais amamos. Alguém os chamou de ‘os bons carrascos’. As vezes são nossos pais, irmãos, esposa, filhos, ou bons amigos.

Prof. Felipe Aquino

Retirado do livro: “Família, Santuário da vida”

Fonte: Publicado no site Cléofas em 27 de maio de 2014.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Atividades de Catequese: Imaculada Conceição de Maria ano A 2016/17

O que falar da Virgem Maria?!... Todas as palavras do mundo e todo o conhecimento do mundo seriam insuficientes para dizer quem é a Virgem Maria e o que ela significa para nós católicos.

A melhor forma de dizermos ao mundo quem é a Virgem Maria é honrando-a como mãe, rainha, protetora, intercessora e advogada nossa, não é verdade?!

E honrarmos e divulgarmos os dogmas que envolvem sua vida é uma linda forma de mostrarmos nosso amor a tão querida Mãezinha do Céu que tão bem nos quer.

A Imaculada Conceição de Maria que celebramos com esta atividade de catequese nos lembra que a Virgem Maria foi concebida sem o pecado original, pois Deus assim o quis! Não porque Deus precisasse da jovem Maria para trazer Jesus ao mundo, pois acreditem, Ele poderia ter feito de várias maneiras. Mas Jesus sendo Deus e sendo a santidade por excelência (Is. 6,3; Ap. 4,8) não poderia habitar em um ventre marcado pelo pecado, já que o santidade de Deus afasta o pecado (Gn. 3,8-10) e certamente se Maria tivesse a mancha do pecado Original ela morreria diante da santidade de Deus.

Deus pensou em tudo e por isso hoje temos que honrar e venerar tão grande Virgem que nos trouxe a Salvação. Espero que goste de nossas atividades de catequese.

Agora eu te peço: Antes de você imprimir nossas "Sementes da fé!" gostaria que você lesse primeiro o nosso termo de uso, clicando AQUI. Desde já agradeço!



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Fiquem com Deus e até a próxima atividade de catequese com mais uma das nossas "Sementes da fé!”. E que Deus abençoe mais este ano litúrgico que ficaremos juntos evangelizando!

Atividades de Catequese: 3º Domingo do Advento ano A 2016/17

Quando lemos o Evangelho de hoje (Mt. 11,2-11) podemos concluir que já fazia algum tempo que Jesus havia sido batizado e provavelmente Ele e João Batista nunca mais se encontraram, pois o evangelista nos conta que João Batista, já na prisão, manda seus discípulos irem até Jesus perguntar se Ele era o Messias ou deveriam esperar outro.

Mas o mais bonito dessa narrativa que São Mateus nos trás é o belo testemunho que Jesus Cristo deu sobre João Batista! Jesus fez o que Ele mesmo prometera quando nos disse "quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus." (Mt. 10,32).

E como deve ser gratificante e recompensador ouvir o próprio Jesus dar seu testemunho a respeito de quem não se deixou paralisar pelo medo e pela vergonha e diante de toda suas misérias e fraquezas anunciou e deu testemunho sobre Jesus diante do mundo.

Peçamos a Deus que nos dê a coragem necessária para não nos omitir diante do mundo, porquê "Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na sua glória, na glória de seu Pai e dos santos anjos." (Lc. 9,26).

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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Campanha da Fraternidade 2017

A complexidade eclesial da Amazônia

Amazônia é um mundo complexo e, nela, a Igreja católica, uma presença complexa, não homogênea, porque as questões locais são muito diversificadas. Portanto, o nosso desafio é o nosso próprio desafio  eclesial amazônico.

O processo de evangelização na Amazônia gerou modelos eclesiais ao longo das fronteiras dos rios, marcadas pelos carismas dos religiosos e religiosas aos quais foram confiados a evangelização. Rio Negro aos carmelitas, jesuítas e depois aos salesianos; alto Solimões aos Capuchinhos e assim por diante. Estas presenças missionárias foram ao longo do tempo compactando uma religiosidade que, hoje, na sociedade liquida, se encontra na encruzilhada, não digo uma crise, mas de alguns fenômenos de transição que influenciam no perfil dos agentes da evangelização:

– Grande sincretismo religioso;

– O avanço do protestantismo de linha neopentecostal no catolicismo;

– O recuo da Igreja nas periferias e uma presença de conservação nos centros urbanos.

Esta transição ou sutil divisão influencia muitíssimo na compreensão da identidade do cristão leigo e do modelo de Igreja que queremos, consequentemente, no projeto de missão. Outro elemento de transição é a nomeação de bispos de outras congregações ou diocesanos para estas prelazias e dioceses na Amazônia; rompe-se assim uma hegemonia. Portanto, bispos, religiosos e clero precisam manter os critérios das mutuas relações para viabilizar a ação conjunta, mantendo o princípio de Calcedônia, ou seja, sem misturar e sem separar; portanto, respeito, credibilidade e foco na evangelização.

A influência do CV II

Até o CV II, o leigo era aquele que não era: não era ordenado, não era missionário, não era religioso consagrado, não era líder comunitário. Após o CV, com o advento do modelo POVO DE DEUS, começamos a superar a ideia do não leigo para o cristão leigo: o cristão leigo é um discípulo missionário de Jesus Cristo, cuja missão está radicada no Batismo, pelo qual todo e qualquer cristão é SACERDOTE, PROFETA E REI (LG, 33,2; CNBB, cristãos leigos e leigas, doc. 105, n. 111.124.125). Papa Francisco, na carta ao cardeal Marc Oullet sobre os leigos, dizia isto: “Nossa primeira e fundamental consagração afunda suas raízes no nosso Batismo. Ninguém foi batizado sacerdote nem bispo.

A Igreja não é uma elite de sacerdotes, consagrados, mas formamos o Povo de Deus” (LG, 9) Então, o clericalismo forma uma sutil divisão clero x leigos, religiosas x leigas, padres x diáconos, leigos x padres e diáconos, tende ou, à luz do CV, deveria ter sido superado, mas o ranço desta tensão ainda é muito presente. Diz ainda o papa “O clericalismo, longe de dar impulso aos diversos contributos e propostas [inclusive a ministerialidade, apaga pouco a pouco o fogo profético… ele esquece que a visibilidade e a sacramentalidade da Igreja pertencem a todo o Povo de Deus e não a poucos iluminados” (LG, 9-14).

Os dons são do mesmo Espírito

Portanto, a dialética está dentro de nós, de nossa mentalidade, daí a necessária e urgente CONVERSÃO PASTORAL (João Paulo II, A Igreja na América, n. 26-29), ou seja a conversão é, sobretudo “assumir o estilo de Jesus Cristo: simplicidade, pobreza, disponibilidade, renuncia à vantagens, é o modo do Bom Pastor” (n.28). Não haverá, portanto,  abertura ao Espírito Santo, que suscita os ministérios, sem conversão, pois o ES não se rege pelo Direito Canônico; e, é o ES que cria e recria os ministérios segundo as necessidades do Povo de Deus. É ele que fala a Igreja (Ap, 2,29; CNBB, cristãos leigos e leigas, doc. 105, n. 151.152).

Tenhamos presente, entretanto, que todo ministério é para o serviço à missão e não para um bem pessoal. Requer humildade, abnegação e  doação de si mesmo. Quem assume como privilégio e honra um ministério não entendeu o serviço ao Reino definitivo. Ministério eclesial não é poder, mas capacidade de amar mais ao povo. Este critério serve tanto para os ordenados como a não ordenados. Aplica-se bem a expressão do papa Francisco também aos leigos e leigas: “renunciemos a psicologia de príncipes” ou numa fala aos núncios (representante diplomático permanente da Santa Sé) apostólicos: “quando alguém é eleito ao episcopado deve entender que Deus pousou o olhar sobre ele”, dito aos cristãos leigos e leigas, diria: quando um leigo ou leiga assume um ministério deve estar consciente de que Deus pousou o olhar sobre ele.

Precisamos, portanto, ter aquela sensibilidade mística de Santa Teresa de Calcutá, quando sentiu no seu interior o apelo de Jesus Cristo: Tenho sede. Nosso povo tem sede da Palavra, da comunhão, da organização, da evangelização, de crescer, ser nutrido. Não podemos, por conseguinte, imaginar que somente nós clero teremos as respostas para todos os desafios da Amazônia, pois nós somos o desafio. Precisamos sim de uma Igreja na Amazônia que siga um programa de evangelização e não um quadro doutrinário (EG, 104).

Faz-se urgente duas atitudes que podem gerar ação, segundo Francisco: discernimento e gradualidade. Eu me aproprio disto para a realidade dos ministérios eclesiais, pois, como bem dizia Ulisses Guimarães: “sem coragem, todos os valores sucumbem”, precisamos ter coragem profética para discernir, pois “não devemos ter medo de mudar aquilo que antes foi necessário como norma, mas hoje é anacrônico” (EG, 43); não esperar do magistério todas as orientações e soluções, mas busca-las à luz dos contextos (AL, 200), e o discernir supõe debate, análise a partir da vida, deixar-se guiar pelo ES, decisão e ação (AL, 293). A gradualidade encontramos numa sensível tipologia cristã atual:

– Pastoral ordinária: fieis que conservam a fé nas comunidades e entre eles os jovens (EG, 14): precisam de ministros que formem para a missionariedade (sair);

– Pastoral ocasional: batizados que não vivem em coerência com o batismo recebidos e entre eles os jovens (EG 14): precisam de ministros acolhedores que tenham a capacidade de atrair (ver);

– Pastoral de fronteira: pessoas que ainda não conhecem Jesus Cristo e entre eles os jovens (EG, 14): precisam de ministros que atuem nos “novos areópagos e novas periferias – novas tecnologias (chamar);

– Piedade popular e catequese: é urgente valorizar a piedade popular com os elementos do Evangelho (EG, 122ss), sobretudo como meio de formação continuada dos jovens e adultos: precisamos de ministros que saibam valorizar a PP e evangeliza-la sem perder suas matrizes culturais;

– Metodologia evangelizadora: pregação (EG, 135. 145), escuta (EG, 154), iniciação cristã (EG, 163ss), ação social (EG, 17ss), linguagens juvenis: precisam de ministros que desenvolvam a comunicação direta;

A diversidade de dons

Com esses dois elementos é possível atender aquilo que é de direito do Povo de Deus nos centros urbanos e nos centros rurais, sem esperar, diz Francisco “diretrizes gerais”, mas locais. Abre-se, então, um leque de possíveis ministérios que passo a elencar inspirado em Atos 12,6ss: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo”.

– Ministério do aconselhamento pastoral
– Ministério da penitencia e reconciliação ordinária
– Ministério das Exéquias
– Ministério da pregação que alimenta a fé
– Ministério da espiritualidade cristã
– Ministério das culturas juvenis
– Ministério da política
– Ministério da caridade ativa
– Ministério da Piedade Popular
– Ministério da dor e da cura
– Ministério de formador de lideranças
– Ministério de itinerância
– Ministério diaconal com maior liberdade de ação, mais evangelizadores que burocráticos

Pe. João da Silva Mendonça Filho, sdb
II Encontro da Igreja na Amazônia

Belém do Pará, 15 a 17 de novembro de 2016


Baixe ainda:

sábado, 26 de novembro de 2016

Atividades de Catequese: 2º Domingo do Advento ano A 2016/17

É tão gostoso ouvirmos a proclamação do Evangelho na Santa Missa não é verdade?! Ou ler em casa sozinho, com a família ou com os amigos!... Não importa como, mas os Evangelhos são alimento para nossa alma.

Como por exemplo o Evangelho deste segundo domingo do Advento (Mt. 3,1-12) quando podemos ler em suas linhas sobre João Batista e como ele começou a preparar os corações daquelas pessoas para a vinda do Messias a tanto esperado e profetizado.

Noss atividade de catequese foi inspirada nesse Evangelho e faço votos que um dia ela lhe seja útil em sua evangelização. Espero que goste.

Agora eu te peço: Antes de você imprimir nossas "Sementes da fé!" gostaria que você lesse primeiro o nosso termo de uso, clicando AQUI. Desde já agradeço!




Essa atividade de catequese acima foi feita no último Ano Litúrgico A entre 2013 e 2014, ficando arquivada, pois na ocasião não tivemos o 2º Domingo do Advento.


1. Se você quiser saber como faz para imprimir esta atividade, é só clicar AQUI!

2. Se quiser saber como faço para configurá-las desta forma para exibir no meu blog é só clicar AQUI!

Fiquem com Deus e até a próxima atividade de catequese com mais uma das nossas "Sementes da fé!”. E que Deus abençoe mais este ano litúrgico que ficaremos juntos evangelizando!

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

4º ano do Blog!

Quatro anos se passaram desde que nosso blog foi criado e ano após ano enfrentamos juntos novos desafios e provações que por muitas vezes nos fazem desanimar, mas inspirados pelas palavras de São Paulo "persigo o alvo rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo" (Fl. 3,14) e justamente por isso não desisto dessa árdua missão que é evangelizar por meio da internet.

A cada aniversário renovo minhas forças e meu compromisso com o Reino de Deus e trago um novo tema que serve de "porto seguro" para minha evangelização! Um tema que de modo especial fala mais forte ao meu coração e que tem um significado; significado este que tento passar através dos trabalhos publicados aqui nesse espaço tão especial para mim.


Como forma de matar a saudade, deixo aqui em baixo uma foto de como era o nosso blog antes da renovação de seu layout e mais uma vez peço que rezem por mim, pois conto sempre com suas orações e o apoio de todos vocês para continuar esse trabalho, já que me ajudam e muito a divulgarem nossas atividades de catequese e outros trabalhos também.

E como de costume também, deixo aqui nosso bolo de aniversário virtual, esse não podia faltar em um aniversário, concordam?! kkk




domingo, 20 de novembro de 2016

Campanha para a Evangelização reflete compromisso com a missão da Igreja


Na preparação para a celebração do Natal, o tempo do Advento é marcado pela espera da chegada do Messias. No Brasil, este tempo litúrgico ganha especial motivação com a reflexão e o aprofundamento do compromisso dos fiéis e das comunidades com a missão da Igreja de Evangelizar propostos pela Campanha para a Evangelização (CE), promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Na edição deste ano, o lema escolhido é “Ele está no meio de nós”.

Criada em 1997, durante a Assembleia Geral da CNBB, e iniciada em 1998, a Campanha tem como objetivo favorecer a vivência do tempo litúrgico do Advento e mobilizar a todos para uma Coleta Nacional que ofereça recursos a serem aplicados na sustentação do trabalho missionário no Brasil. Tal iniciativa considera a ajuda para dioceses de regiões mais desassistidas e necessitadas.

O objetivo da Campanha é despertar os discípulos e as discípulas missionários para o compromisso evangelizador e para a responsabilidade pela sustentação das atividades pastorais no Brasil.

A abertura da CE é realizada na Festa do Cristo Rei, encerramento do Ano Litúrgico, este ano, dia 20 de novembro. A conclusão acontece no terceiro domingo do Advento, dia 11 de dezembro, quando deve ser realizada, em todas as comunidades católicas, a Coleta para a ação evangelizadora no Brasil.

No texto motivacional da CE, encontra-se a seguinte explicação: “A Campanha da Evangelização deseja suscitar um renovado amor missionário nos fieis. Assim, seguindo o exemplo do Pai das misericórdias, que saiu ao encontro dos dois filhos que necessitavam de acolhimento e compreensão, todos anunciarão ao mundo que, não obstante nossas faltas e desmerecimentos, somos profundamente amados pelo Pai e podemos fazer a experiência da presença do Senhor no meio de nós".

Inspiração

A Campanha para a Evangelização segue o exemplo das primeiras comunidades às quais Paulo recomendava que os que têm se enriqueçam de boas obras, deem com prodigalidade e repartam com os demais (Cf. 2Cor 8-9). Sua criação foi inspirada também na experiência de católicos generosos de várias partes do mundo.  No caso dos alemães, ingleses e espanhóis, por exemplo, campanhas semelhantes angariam recursos não só para a evangelização dos seus próprios países, mas também para auxiliar projetos evangelizadores nos países mais pobres, entre os quais o Brasil.

Sob a coordenação de dom Demétrio Valentini, bispo emérito de Jales (SP), uma comissão da CNBB se encarregou das primeiras edições da Campanha que posteriormente foi associada à administração da Campanha da Fraternidade. “Lentamente esta campanha vai se inserindo na tradição, motivando para os verdadeiros objetivos para os quais foi pensada: levar a Igreja a assumir sua responsabilidade missionária, a começar pelo próprio Brasil”, afirmou dom Demétrio.

Materiais

Os materiais da Campanha para a Evangelização estão disponíveis para download. Foi preparado o texto motivacional, o cartaz e a oração da CE.

O cartaz deste ano convida à reflexão do dinamismo evangelizador que nasce da experiência que a comunidade de fé faz ao contemplar, no Menino Jesus, o Emanuel, o Deus conosco. “Nele, o papa Francisco nos convida a enxergar além do que vemos, percebendo as necessidades materiais e espirituais dos filhos e das filhas da Igreja. Isso, contudo, só será possível se nos abrirmos à compreensão do ‘Emanuel’ anunciado pelo evangelista Mateus”, motiva o texto da Campanha.

Partilha

O gesto concreto de colaboração na Coleta para a Evangelização será partilhado, solidariamente, entre as dioceses, que receberão 45% dos recursos; os 18 regionais da CNBB, que terão 20%; e a CNBB Nacional, que contará com 35% das contribuições.

O repasse das arqui/dioceses para a CNBB Nacional deverá ser realizado preferencialmente por meio de pagamento do boleto bancário.



O endereço evangelija.com não está mais disponível para receber as doações. As doações poderão ser feitas na seguinte conta:

CONTA PARA DEPÓSITO

CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
Caixa Econômica Federal
Agencia 2200
Operação 003
Conta Corrente 9-0
Em caso de depósito, enviar comprovante para: financeiro@cnbb.org.br

Oração da CE

Pai Santo,
quisestes que a vossa Igreja fosse no mundo fonte de salvação para todas as nações,

a fim de que a obra do Cristo que vem continue até o fim dos tempos.
Aumentai em nós o ardor da evangelização, derramando o Espírito prometido,
e fazei brotar em nossos corações a resposta da fé.
Por Cristo, nosso Senhor.


Amém!

Fonte: Site da CNBB.