quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

4 chaves para ler o novo documento do Vaticano sobre formação de sacerdotes

LIMA, 05 Jan. 17 / 07:00 am (ACI).- No documento intitulado “O dom da vocação presbiteral. Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis”, a Congregação para o Clero da Santa Sé determinou uma série de normativas sobre a formação de sacerdotes católicos. O Secretário para os Seminários desta Congregação, Dom Jorge Carlos Patrón Wong, compartilhou com o Grupo ACI 4 chaves para entender este importante documento.

O documento do Vaticano, publicado em 8 de dezembro de 2016, substitui o que foi publicado em 1985.

Entre outros artigos chave, ‘O dom da vocação presbiteral’, “em coerência com o próprio Magistério”, determinou que “a Igreja, embora respeitando profundamente as pessoas em questão, não pode admitir ao Seminário e às Ordens Sagradas aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente radicadas ou apoiam a chamada cultura gay”.

Estas pessoas, indicou a normativa do Vaticano, “encontram-se, de fato, em uma situação que constitui um grave obstáculo a um correto relacionamento com homens e mulheres. De modo algum, se hão de descuidar as consequências negativas que podem derivar da Ordenação de pessoas com tendências homossexuais profundamente radicadas”.

A seguir confira as 4 chaves de Dom Jorge Carlos Patrón Wong para compreender “O dom da vocação presbiteral”:

1. As diferenças com o texto de 1985 e acentos do novo documento

Dom Patrón Wong explica que “a Igreja é uma instituição antiquíssima”, por isso “na formação de seus ministros existe a continuidade e a novidade”.


“Os documentos que regem a formação colocam alguns acentos, tentando responder à realidade atual e tentando incorporar algumas experiências positivas da formação e das conclusões das ciências humanas”, assinala.

Para o Prelado, “uma primeira diferença é que sublinha ainda mais a formação integral. Trata-se de formar todo o homem, de modo que os seminaristas possam conseguir um amadurecimento equilibrado em diversos aspectos da sua vida e do seu futuro ministério, começando sempre pela formação da pessoa, ou seja, do coração, do profundo, da interioridade”.

Além disso, indica, esta normativa “tem um acento especial sobre o discernimento vocacional, recomendando que seja feito continuamente durante o processo formativo, de modo que os seminaristas cheguem à ordenação sacerdotal mais livres e mais capazes de fazer um verdadeiro discernimento pastoral”.

“Também há uma atenção no acompanhamento, destacando a necessidade de que ao longo do processo formativo se cultivem profundas relações de confiança e transparência entre os formadores e os seminaristas, para que efetivamente possam ajudá-los”.

O documento também destaca “a importância da comunidade educativa do Seminário. A formação se realiza sempre no âmbito da comunidade cristã e, no caso do Seminário, de uma comunidade educativa constituída por todas as pessoas que colaboram nela: sacerdotes formadores, professores, funcionários, equipe administrativa”.

2. Processo de formação para os candidatos ao sacerdócio

Dom Patrón Wong destaca que esta nova normativa “insiste muito no conceito clássico da gradualidade, ou seja, os valores da vocação sacerdotal são aprendidos pouco a pouco, em um processo de maturação que demora um longo período”.

“Trata-se de formar um homem, que deve ter bem cimentada a sua identidade cristã, para posteriormente facilitar a configuração com Cristo, Servo, Pastor, Sacerdote e Cabeça. Um processo complexo que exige uma formação cuidadosa”, precisa.

Neste processo de formação, indica, “propõem-se quatro etapas, que são praticadas na maioria dos Seminários: a etapa propedêutica ou introdutória, a etapa do discipulado ou filosófica, a etapa de configuração ou teológica e a etapa de pastoral ou de síntese vocacional”.

3. Inculturação

O Secretário para os Seminários destaca que, “ao longo de sua história, a Igreja fez parte de diversas culturas: nasceu hebreia, fez-se grega e latina; e logo, balcânica, polonesa, hispânica, gálica; e posteriormente africana, asiática, americana”.

Para a Igreja, explica, “a inculturação é uma regra de vida. Jamais destrói as culturas, mas tenta que em cada uma delas esteja presente a pessoa de Jesus e a mensagem do Evangelho se encarne”.

“A Igreja vê com muita seriedade as diferentes culturas, ainda mais quando são pouco respeitadas. Por isso, valoriza as vocações indígenas e procura oferecer-lhes uma formação adequada. Além disso, as pessoas que falam as línguas indígenas são cristãos e têm o direito de ter pastores que evangelizem sua cultura”, sublinha.

4. Os Seminários Menores

Segundo Dom Patrón Wong, “o Seminário Menor é uma linda instituição”, pois “oferece aos adolescentes uma formação juvenil humana e cristã”.

“Paulo VI dizia que eram lugares de trabalho, de oração e de família, semelhantes à família de Nazaré. Muitíssimos adolescentes necessitariam de uma experiência semelhante para conseguir um amadurecimento integral”.

O Prelado indica que “o Seminário Menor não é uma casa de formação presbiteral. Na verdade, prepara os adolescentes para que, em algum momento, possam ter a experiência vocacional suficiente para que, se Deus quiser, possam escolher a vida sacerdotal. Trata-se de uma formação prévia, ou remota”.

Esta formação, acrescenta, “também está, de algum modo, na pastoral juvenil, nos colégios católicos, nos grupos juvenis e nos movimentos eclesiásticos”, pois “a Igreja está presente de várias maneiras entre os adolescentes, para ajudá-los em seu crescimento humano, espiritual, intelectual e apostólico”.

Por Álvaro de Juana e David Ramos

Fonte: Site AciDigital 

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