Mostrando postagens com marcador Amigos da Igreja. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amigos da Igreja. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O que é a Liturgia das Horas e qual a sua importância?


A essência da Liturgia das Horas é a santificação das horas do dia do cristão, através das várias horas canônicas.

Após a reforma promovida pelo Concílio Vaticano II existem cinco ou sete horas canônicas. São elas: Ofício das Leituras, para ser recitado de madrugada, contudo, reconhecendo as necessidades de adaptação do homem moderno, a Igreja diz que pode ser recitado ao longo do dia, desde que se mantenha o caráter de vigília.

Laudes ou Oração da Manhã, que é uma oração de louvor dado a Deus pela vida recebida. Atualmente composta de um Salmo, um hino do Antigo Testamento e um Salmo de louvor, de onde provém o nome. Existem alguns outros elementos nessa oração, mas o coração é este mencionado. É nesta hora canônica que se recita o Benedictus ou o Cântico de Zacarias.

Hora média, que pode se desdobrar em mais três: tércia, próxima das 09h00, sexta, próxima do meio dia e noa, próxima das 15h00. Elas podem ser recitadas como sendo uma só, para não multiplicar excessivamente os horários canônicos.

Vésperas ou Oração da Tarde, composta por dois Salmos e um hino do Novo Testamento. Recita-se nessa hora o Magnificat, que é o Cântico de Nossa Senhora.

Por fim, as Completas ou Oração da Noite, composta por um Salmo e o hino de Simeão.

Esta é a essência das cinco horas canônicas da Liturgia das Horas que pode e deve ser recitada por todos os fiéis. Contudo, existem algumas pessoas que são obrigadas a rezá-las. É o caso dos sacerdotes e dos religiosos, mas nada impede que todos a recitem.

O Concílio Vaticano II incentivou a que, cada vez mais, se recite a Liturgia das Horas com a comunidade dos fiéis, para que esse tesouro da Igreja não fique reservado somente aos padres, mas que seja distribuido também aos fiéis, para que possam santificar o dia por meio da oração.

Para a oração, nada melhor do que utilizar a própria Palavra de Deus para falar com Ele. Por isso, a récita da Liturgia das Horas é uma escola de oração. Jesus Cristo recitou também os Salmos. Os Apóstolos igualmente. Da mesma forma, a Igreja continua recitando esta belíssima liturgia ao longo dos séculos.

O Papa Paulo VI ao promulgar a reforma da Liturgia das Horas, através da Constituição Apostólica Laudis Canticum, iniciou-a com uma frase que oferece a nota teológica da Liturgia das Horas. Ele disse:
O CÂNTICO DE LOUVOR que ressoa eternamente nas moradas celestes, e que Jesus Cristo, Sumo Sacerdote, introduziu nesta terra de exílio, foi sempre repetido pela Igreja, durante tantos séculos, constante e fielmente, na maravilhosa variedade de suas formas.
Assim, quando se recita as orações da Liturgia das Horas louva-se a Deus, na terra, fazendo um louvor que no céu é incessante. Na santificação do dia, das horas, no tempo, a realidade da eternidade se faz presente. Também nós queremos, por meio do louvor, transformar a nossa vida em história de salvação.


Você pode Acessar a Liturgia das Horas online, clicando AQUI.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Então é Natal!...

Chegou o Natal! Um Natal que fecha um ano difícil e repleto de provações em que nossos corações foram tentados de todas as formas possíveis colocando à prova nossa fé, amor e caridade.

Vai ser um Natal simples, sem muitas coisas na ceia natalina para comermos, nem grandes e caros presentes para oferecermos aos nossos pequenos e amigos queridos. Mas será um Natal onde teremos a certeza que a união e o amor venceram e vencerão todas as barreiras impostas pelo nosso grande inimigo que fez de um tudo para que Jesus não nascesse em nossos corações neste ano duro e difícil.

E como vai ser triste saber que ele conseguiu matar a esperança de "um dia melhor" nos corações de muitos e muitos de nossos irmãos e irmãs!... E que nesse Natal Jesus não vai encontrar morada deixando São José ainda mais preocupado e angustiado só contando com o carinho e conforto da Virgem Maria.

Essa realidade esta expressa na gravura acima! Reparem na expressão triste e abatida do jumentinho, que retrata a passagem que diz que a Sagrada Família ao chegar em Belém não encontra abrigo para passar a noite; mas que é consolada pelo amor que Deus tem por eles. Amor esse que é representado pela luz da estrela que consola e fortalece a Virgem Maria e São José e coroado pelo coração.

Muitos de nós podemos nos sentir assim: desamparados, desprotegidos, inseguros com o futuro. Mas Deus nos consola, nos conforta; dando tudo que precisamos para sermos felizes! Nunca a mais e nunca a menos do que precisamos! Só precisamos abrir nosso coração e compreender essa verdade que renova nossa fé e esperança.

Talvez a mesma esperança que nossos irmãos e irmãs tiveram ao passar o primeiro Natal junto da imagem de Nossa Senhora Aparecida a 300 anos atrás, tento a certeza que teriam uma vida diferente, porque agora mais do que nunca contavam com a proteção da Virgem Maria que foi até eles de forma tão simples através de uma imagem mais simples ainda.

É lindo ver e sentir que hoje, nas vésperas de comemorarmos, trezentos anos após sua aparição,  a mesma Mãe Aparecida vem ao nosso encontro renovando a nossa fé e nossas esperanças em um período que o Brasil passa por tantas dificuldades; uma nova espécie de escravidão onde leis injustas - talvez necessárias - mas ainda sim injustas são aprovadas no calar da noite e todos nós somos levados entre correntes para uma prisão que fere a nossa dignidade enquanto pessoas e filhos de Deus.

Hoje somos todos Zacarias, aquele escravo que foi liberto por Nossa Senhora; e temos a certeza que ela também nos libertará das correntes que nos foram impostas por esse mundo tão injusto! Porque ela e mãe e ouve o apelo de seus filhos e sente a dor que nos consome.

E posso dizer com toda alegria e certeza que há em meu coração: "Como é bom viver nessa simplicidade do Natal!". Simplicidade que pude comprovar em nossa Novena de Natal realizada nas casas e nos olhares de alegria das famílias que nos acolheram! Simplicidade na forma com que nos colocamos a caminho anunciando a chegada do Reino de Deus; da mesma forma que a Virgem Maria foi ao encontro de Santa Isabel! E juntos pudemos glorificar a Deus com nossas vidas e orações.

Agora eu te pergunto: Então é Natal, e o que você fez?...


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Santificados na Família

Na semana que os "representantes" do povo brasileiro lá em Brasília aprovaram a vergonhosa lei que descriminaliza o aborto até o terceiro mês de gestação, vale a pena ler um artigo maravilhoso que fala da família e do quanto ela pode nos santificar!

-------------------------------------------------------

Deus nos criou para vivermos em família. Ele mesmo é uma Família, Três Pessoas distintas em uma única natureza, e quis que de certa forma isso se reproduzisse na terra, em cada lar. Quando o Catecismo fala da família, começa dizendo que:

‘A família cristã é uma comunhão de pessoas, vestígio e imagem da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sua atividade procriadora e educadora é o reflexo da obra criadora do Pai’ (§2205).

A família é assim, por vontade de Deus, ‘imagem’ da Santíssima Trindade; por isso ela é sagrada, e meio especial de nossa santificação.

Jesus, ao vir ao mundo, não precisava necessariamente viver em uma família, mas Ele assim o quis, para deixar-nos o seu exemplo e ensinamento sobre a nobreza e santidade da família. Quis ter uma mãe e um pai (adotivo), e foi obediente e submisso a eles (cf Lc 2,51).

Jesus não precisava ter um pai terreno, já que o Seu Pai é o próprio Deus. Mas Ele quis ter um pai adotivo, legal, como chamavam os judeus. Quando José quis abandonar Maria, em silêncio, para não difama-la, Deus mandou o Anjo dizer-lhe: ‘José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois, o que nela foi concebido veio do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho a quem tu porás o nome de Jesus’ (Mt 1,20-21). É como se Deus dissesse a José: eu preciso de você, eu quero você para ser o pai diligente da sagrada Família. Os pais geram os filhos, mais aqui é o Filho quem escolhe o seu pai.

Jesus quis viver numa família, e ali viveu durante trinta anos, só saindo dela para a sua missão pública e redentora da humanidade. A Família de Nazaré nos dá uma lição de vida familiar.

Como disse Paulo VI: ‘Que Nazaré nos ensine o que é família, sua comunhão de amor, sua beleza austera e simples, seu caráter sagrado e inviolável […]. Uma lição de trabalho […]’ (05/01/64).

Cristo, nascendo e vivendo numa família, redimiu e santificou todas as famílias.

Os que atentam hoje contra os valores sagrados da família: indissolubilidade do matrimônio, fidelidade conjugal, defesa da vida, etc., atentam frontalmente contra Deus. Os que pregam a defesa do aborto, da eutanásia, do divórcio, dos casamentos de homossexuais, dos úteros de aluguel, das experiências com embriões, da concepção in-vitro [bebê de proveta], da limitação da natalidade por quaisquer meios, esses, lutam contra Deus e contra a família.

Vivendo na família de Nazaré, Jesus nos ensinou a importância da submissão e obediência dos filhos aos pais. Ele, mesmo sendo Deus, se fez obediente àqueles que Ele mesmo criou e escolheu para seus pais. Cumpriu em tudo o quarto mandamento que manda ‘honrar’ os pais. Mais do que ninguém obedeceu à Palavra de Deus que diz:

”Quem honra sua mãe é semelhante àquele que acumula um tesouro”.

”Quem teme o Senhor honra pai e mãe” (Eclo 3).

Por ser a família, a própria imagem da Trindade na terra, o Concílio Vaticano II a denominou de ‘igreja doméstica’, e o Papa João Paulo II a chamou de ‘santuário da vida’. É ali que a vida é gerada, cuidada, amada e engrandecida. É no seio da família que o ser humano é construído. Foi no seio da família de Nazaré que o Menino Jesus foi preparado para a grande missão de Salvador dos homens.

Portanto, a família é a grande escola da vida, é o educandário do amor, da fé, da justiça, da paz e da santidade.

É porque a família é hoje tão ofendida pelas pragas da imoralidade, que a sociedade paga um alto preço social: jovens deliquentes, crianças abandonadas, pais separados, homens e mulheres frustrados, tanta violência, tanto crime, tanta morte…

Essas pobres crianças e jovens desorientados, que vivem pelas ruas, perdendo-se nas drogas, no crime, na violência, na homossexualidade e nas bebidas, etc., apenas estão buscando com isso um pouco de calor humano, afeto, que deveriam ter recebido em suas famílias, e não receberam.

O triste espetáculo de crianças e jovens drogados nada mais é do que o fruto da destruição familiar, causado por um mundo sem Deus, sem moral, sem religião.

O filho que foi amado e querido por seus pais, até o fim da sua adolescência, jamais será um desequilibrado ou perigoso para a sociedade.

O Catecismo diz que a ”família é a sociedade natural onde o homem e a mulher são chamados ao dom de si no amor e no dom da vida. A família é a comunidade na qual, desde a infância, se podem assimilar os valores morais, em que se pode começar a honrar a Deus e a usar corretamente a liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade” (CIC nº 2207).

Por tudo o que foi dito até aqui podemos entender o quanto o lar é um local adequado para a santificação dos pais e dos filhos.

”É no seio da família que os pais são para os filhos, pela palavra e pelo exemplo… os primeiros mestres da fé”, ensina a Igreja (LG, 11).

‘É na família que se exerce de modo privilegiado o sacerdócio batismal do pai de família, da mãe, dos filhos, de todos os membros da família, na recepção dos sacramentos, na oração e na ação de graças, no testemunho de uma vida santa, na abnegação e na caridade ativa. O lar é assim a primeira escola de vida cristã e uma escola de enriquecimento humano. É ai que se aprende a fadiga e a alegria do trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e mesmo reiterado, e sobretudo o culto divino pela oração e oferenda de sua vida’ (CIC §1657).

Essas palavras do Catecismo mostram que o lar é a escola das virtudes humanas; logo, lugar de santificação.

Para os pais, a vida conjugal é uma oportunidade riquíssima de santificação, na medida em que, a todo instante, precisam lutar contra o próprio egoísmo, soberba, orgulho, desejo de dominação, etc., para se tornar, com o outro, aquilo que é o sentido do matrimônio: “uma só carne”, uma só vida, sem divisões, mentiras, fingimentos, tapeações, birras, azedumes, mau-humor, reclamações, lamúrias, etc.

A luta diária e constante para ser ‘exemplo para os filhos’, para manter a fidelidade ao outro, para ‘vencer-se a si mesmo’, a fim de se construir um lar maduro e santo, faz com que caminhemos para a na nossa santificação.cpa_familia_santuario_da_vida

O amor do casal é o sinal e o símbolo do amor de Deus à humanidade, e amor de Cristo à Igreja (cf. Ef 5,21s). Ao se por a caminho para conquistar ‘esse amor’, o casal se santifica.

A busca da unidade profunda como a do ‘café com o leite’, o desafio de ‘construir o outro’, alguém querido, a solução conjunta de todos os problemas, o diálogo frequente e amoroso, o respeito mútuo, enfim, a busca da maturidade essencial para a vida a dois, tudo isso santifica o casal.

Além do mais, o conhecimento profundo do ‘mistério do outro’ a luta para aceita-lo e entende-lo, para ajuda-lo a crescer, a paciência, o perdão dado, as renúncias de cada dia, a atenção com o outro para vencer a frieza e a monotonia, o cuidado do lar, da roupa, da comida, do estudo dos filhos, etc., tudo isso concorre para que os pais se santifiquem mutuamente. Deus quis assim, e fez do casamento uma grande escola de santidade. O casal que quiser atingir a perfeição matrimonial, como é o desígnio de Deus, naturalmente chegará à santidade. A casa é para o casal e os filhos, o que o mosteiro é para o monge.

A luta que travamos conosco mesmo para aceitar e suportar os defeitos do outro, a cada dia, com paciência e compreensão, faz-nos santos.

As cruzes do lar, o desemprego, as doenças, as dúvidas, os vícios do cônjuge, a dificuldade com os parentes, a preocupação com os problemas dos filhos, etc., tudo isso, torna-se no casamento como que o ‘fogo’ que queima as ervas daninhas de nossa alma e nos encaminha para a perfeição cristã.

É preciso saber aproveitar toda e qualquer dificuldade do lar para fazer dela um degrau de crescimento na fé e no amor a Deus, pois “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28).

Por outro lado, a enorme tarefa que Deus confia aos pais, na geração e na educação dos filhos, o exercício dessa missão sagrada coopera para a santificação deles.

O Catecismo diz que:

”O papel dos pais na educação dos filhos é tão importante que é quase impossível substituí-los”. E que: ‘O direito e o dever de educação são primordiais e inalienáveis para os pais’ (§2221; FC 36). Para cumprir com responsabilidade essa sagrada missão, os pais devem criar um lar tranquilo para os filhos, onde se cultive a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado. Aí deve ser cultivado a abnegação, o reto juízo, o domínio de si, para que haja verdadeira liberdade.

Diz o livro do Eclesiástico:

‘Aquele que ama o filho castiga-o com frequência; aquele que educa o seu filho terá motivo de satisfação’ (Eclo 30, 1-2).

Esse ‘castiga-o com frequência’ deve ser entendido como ‘corrige-o com frequência’. Mas São Paulo lembra que os pais não podem humilhar e magoar os filhos ao corrigi-los:

”E vós, pais, não deis a vossos filhos motivo de revolta contra vós, mas criai-os na disciplina e na correção do Senhor” (Ef 6,4).
É claro que esse equilíbrio e dedicação que é exigido dos pais para educar bem os filhos, é motivo também de crescimento para os próprios pais. E é bom lembrar aos pais que saber reconhecer diante dos filhos, os próprios defeitos, não é humilhação e sim coerência, e isto facilita guia-los e corrigi-los, como ensina o próprio Catecismo (nº 2223).

”Os filhos, diz o Catecismo, por sua vez, contribuem para o crescimento de seus pais em santidade. Todos e cada um se darão generosamente e sem se cansarem o perdão mútuo exigido pelas ofensas, as rixas, as injustiças e os abandonos. Sugere-o a mútua afeição. Exige-o a caridade de Cristo” (CIC, §2227; Mt 18,21-22).

A Igreja também ensina que os pais, pela graça do matrimônio, receberam o direito e o dever de evangelizar os filhos, iniciando-os, desde a infância, nos mistérios da fé. E fazendo isso os pais estão, de certo modo, evangelizando a si mesmos.
Para os filhos, o dever de honrar os pais, estabelece um verdadeiro programa de santificação.

Lembra a Palavra de Deus aos filhos:

”Honra teu pai de todo o coração e não esqueças as dores de tua mãe. Lembra-te que fostes gerado por eles. O que lhes darás pelo que te deram?” (Eclo 7,27-28).

”Um filho sábio escuta a disciplina do pai e o zombador não escuta a reprimenda” (Pr 13,1).

”Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, pois isso é agradável ao Senhor” (Cl 3,20; Ef 6,1).

”Aquele que respeita o pai obtém o perdão dos pecados, o que honra a sua mãe é como quem ajunta um tesouro. Aquele que respeita o pai encontrará alegria nos filhos e no dia de sua oração será atendido” (Eclo 3,2-6).

Todo o capítulo três do livro do Eclesiástico mostra a importância dos pais na vida dos filhos. A observância dessas normas santificará os filhos e lhes dará a bênção de Deus. Essa bênção é dada através dos pais:

”Honra teu pai por teus atos, tuas palavras, tua paciência, a fim de que ele te dê a sua bênção, e que esta permaneça em ti até o último dia da tua vida.”

”A bênção paterna fortalece a casa de seus filhos; a maldição de uma mãe a arrasa até os alicerces” (9-11).

Um filho abençoado pelos pais é um filho abençoado pelo próprio Deus, porque ”a paternidade humana tem a sua fonte na paternidade divina” (CIC nº 2214).

Infelizmente os filhos já não pedem a bênção para os seus pais hoje, porque não lhes foi ensinado a importância dessa bênção. É preciso resgatar esse costume santo, que torna a vida dos filhos mais santa.

Vemos assim que Deus estabeleceu a família como o meio privilegiado para a nossa salvação e santificação, tanto dos pais quanto dos filhos.

As provações da vida familiar são riquíssimas para a santificação de toda a família. As doenças, as lágrimas, os revezes, enfim as cruzes, não vêm por acaso. Só os pagãos creem no acaso e no destino. O cristão acredita que tudo vem de Deus. Muitas vezes Ele fere o corpo para salvar a alma. Quanta gente, piedosa e devota, que na hora do ‘sofrimento purificador’ se comporta como um pagão! ‘É o destino!… fatalidade! …’

Saber aproveitar as lições dos sofrimentos diários, e acolhê-los com fé, é receber uma multidão de graças do Céu. São Francisco de Assis acolhia a doença com gratidão: ”Senhor, os sofrimentos que me enviais são, aos meus olhos, incomparáveis tesouros. Agradeço a Vossa Misericórdia Infinita, que me castiga neste mundo para me poupar para a eternidade”.

Os sofrimentos do lar são, muitas vezes, mais difíceis de suportar do que os que vêm de fora. São Francisco de Sales dizia que: ‘Ser desprezado e acusado pelos maus é até doce para um homem de coragem; mas, ser repreendido, acusado, maltratado pelas pessoas de bem, pelos amigos, pelos parentes… como é doloroso!’ O Santo dizia que são como ‘picadas de abelhas’, ardem mais do que as das moscas, embora as abelhas produzam um mel tão doce. Os espinhos do lar são as pequenas cruzes com as quais o Senhor nos santifica a cada dia.

Os santos afirmavam que as provações mais difíceis de suportar são aquelas que nos vêm através dos bons, das pessoas que mais amamos. Alguém os chamou de ‘os bons carrascos’. As vezes são nossos pais, irmãos, esposa, filhos, ou bons amigos.

Prof. Felipe Aquino

Retirado do livro: “Família, Santuário da vida”

Fonte: Publicado no site Cléofas em 27 de maio de 2014.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Bendita Árvore da Cruz: O Madeiro Sagrado do Amor


Cruz. Mistério incompreensível à racionalidade humana, causador de espanto e encanto, pavor e tremor. Verdadeira expressão de trevas e luz, derrota e vitória, morte e vida, ódio e amor um real símbolo permeado por antagonia em sua designação. Qualificação contraditória talvez? Não, pois na realidade sua qualificação primeira de maldição e pavor sede lugar a de benção e esperança. Sua primeira qualificação é capaz de causar arrepios em quem contempla sua finalidade original, instrumento de suplício. Pessoas nela pendiam para findar suas existências de maneira cruel. Assim usada como símbolo de maldição, castigo e tortura, maneira de malfeitores pagarem suas dívidas de maneira terrível. Cruz – é então árvore que saída do chão produz um amargo fruto, a MORTE. Contudo o que antes era sinônimo de morte transforma-se em VIDA, quando a própria vida, o Cristo Jesus, nela pendeu concedendo a redenção a humanidade maculada pelo pecado. Tal redenção já fora anunciada no Antigo Testamento, basta que se relembre o ocorrido quando o povo desobediente se rebelou contra Deus e Moisés e foram castigados com picadas de serpentes venenosas. Moisés o grande intercessor do povo rogou por ele ao seu Senhor e conquistou a graça. Deus em sua misericórdia ordena que uma serpente de bronze fosse colocada sobre uma haste e quem olhasse para tal símbolo fosse salvo. Contudo no Novo Testamento Cristo não levanta um símbolo, mas confere significado ao antigo, elevando a si mesmo em súplica ao Pai. Nele o que causava repulsa torna-se objeto de atração para àquele que deseja a redenção e a vida.

Que ambiguidade, um objeto, dois sentidos, madeiro de maldição re-significado pela própria vida. Madeiro lavado, pelo precioso sangue redentor, de sua maldade. Madeiro que era para castigo para aqueles que deviam, carrega em si aquele que se fez devedor justificando toda a humanidade. Ponte de morte que hoje conduz a vida. Sem deixar de ser símbolo de sofrimento passa a ser sinal de esperança.


“Ave, ó cruz, única esperança!”. Madeiro no qual pendeu a salvação do mundo. Altar da perfeita redenção, coroa do cristão, que por ti reinem os filhos de Deus sobre o mal. Que em tua loucura o homem vença a astucia do mal. Pois, se “em Adão a árvore da vida tornou-se árvore da morte”, hoje a certeza é que em Cristo a da morte torna-se árvore da vida. Ó Madeiro Sagrado! Ó Bendita Árvore da Cruz, cujo fruto é o mais doce de todos, o Amor…

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Por uma Igreja que pensa, por Pe. Zezinho, scj

Este texto foi escrito por Padre Zezinho, SCJ é um sacerdote da Igreja Católica, que faz parte da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus e é conhecido por suas habilidades como escritor e cantor também! E recentemente, mais precisamente no dia 11 de julho de 2014, este sacerdote que é um Amigo da Igreja escreveu este texto que posto hoje em nosso blog dando um "puxão de orelha fraterno" em todos nós que somos católicos e que de alguma forma estamos envolvidos na evangelização dentro e fora das Missas.

Então eu te convido para ler este texto que é pequeno, mas reflexivo em suas palavras!... Originalmente ele foi publicado no site das Paulinas.

-----------------------------------------

Leitores que não preparam as leituras.
Cantores que não ensaiam os cantos.
Coroinhas que não ensaiam sua parte.
Sacerdotes que não preparam seus sermões.
Catequistas que não lêem os documentos da Igreja.

Pregadores que não leram o catecismo.
Cantores de desafinados que insistem em liderar os cantos da missa.
Músicos sem ritmo e sem ensaios que tocam alto e errado.
Cantores que dão show de uma hora
sem perceber que a guitarra e o baixo estão desafinados.
De quebra, também um dos solistas...

Autores que não aceitam corrigir seus textos e suas letras,
antes de apresentá-los a milhões de irmãos na fé.
Cantores que teimam em repetir uma canção
cuja letra o bispo já disse que não quer que se cante mais.
Párocos que permitem que qualquer um lidere as leituras e o canto.
Párocos que permitem qualquer canção, mesmo se vier errada.

Sacerdotes que ensinam doutrinas condenadas pela Igreja,
práticas e devoções com ranços de heresia ou de desvio doutrinário.
Animadores de programas católicos com zero conhecimento de doutrina.
***
Parecemos um hospital que, na falta de médicos na sala de cirurgia,
permite aos secretários, porteiros e aos voluntários bem intencionados que operem o coração dos seus pacientes.

Há católicos aconselhando, sem ter estudado psicologia.
Há pregadores receitando, sem conhecer a teologia moral.
E há indivíduos ensinando o que lhes vem na cabeça,
porque, entusiasmados com sua fama e sua repercussão,
acham que podem ensinar o que o Espírito Santo lhes disse naquela hora.

Nem sequer se perguntam se de fato era o Espírito Santo que lhes falou
durante aquela adoração, ou aquela noite mal dormida!

Está faltando discernimento na nossa Igreja!
Como está parece a casa da mãe Joana,
onde todos falam e apenas uns poucos pensam no que falam.
Uma Igreja que não pensa acaba dando o que pensar!

Fonte: Site Paulinas e comentários para: online@paulinas.com.br

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Cuidado com a batina. Por Pe. Gaspar Pelegrini.

Este texto foi publicado pelo próprio Padre Gaspar Pelegrini, sacerdote da Administração Apostólica São João Maria Vianney em sua página pessoal no facebook no dia 19 de agosto de 2013.

-----------------------------------------------------------



Sei que o título deste artigo soa estanho. Mais ainda vindo de um padre que usa sempre a batina. Mas eu repito: cuidado com a batina!

Se me permitem, eu me explico.


Para tanto, temos que recordar o sentido da batina. E quando digo batina, entenda-se o hábito sacerdotal, seja a batina mesma ou o clergyman, ou outra veste sacerdotal.
A batina tem como fim ser um sinal para os outros e para o padre.


Para os outros a batina ajuda a identificar o sacerdote em meio a outras pessoas. O padre, como nos dizia o Beato João Paulo II, não pode perder-se no anonimato. Ele é sinal de Deus. É luz, é referência. Ele tem que ser visto, tem que ser encontrado com facilidade. E o hábito sacerdotal ajuda a identificar o padre.


A vista de um padre nos leva a pensar em Deus, a lembrar-nos de Deus de quem o padre é sinal e mais ainda, ministro. Se estamos num perigo e vemos um policial, nós nos tranquilizamos e vamos até ele pedir ajuda. A farda não faz o policial, mas facilita encontrá-lo, identificá-lo. Como também o nome de uma loja não é a loja, mas ajuda a encontrá-la. A batina não é o padre. O poder não está na batina. Mas a batina ajuda muito a encontrar o padre.


E para o Padre?


O hábito o ajuda a não se esquecer de sua missão, de sua entrega a Deus. A batina é para o padre proteção, alerta e às vezes, até sinal vermelho.
Alerta porque se ele está com a sua veste própria, é convidado a agir como sacerdote. O hábito lembra ao padre uma coisa que muitas vezes não queremos aceitar: o padre não é uma pessoa comum. Não é um homem como os demais. Não. O jovem que é chamado por Deus e é ordenado padre, sim, é um homem como os demais. Mas, enquanto sacerdote, não é mais como os demais. Houve uma mudança em seu próprio ser. Ele não se pertence mais, não tem direito de agir como se não fosse sacerdote. Isso o próprio povo de Deus espera de nós. O povo quer e tem direito de ver no padre um padre.


Às vezes também a batina pode ser um sinal vermelho para o padre no sentido em que como sacerdote, vestido como padre, ele não pode tomar certas atitudes, ir a certos lugares, etc.


A batina é ainda um desafio para o padre. Temos que ser o que a batina representa.
Por isso eu digo: cuidado com a batina. Cuidado, meu irmão padre, para não se esquecer de seu hábito que lhe recorda sua identidade. Cuidado com a batina, pois ela o sinaliza. Suas ações e atitudes são vistas como ações de um ministro de Deus. Mas quando digo aqui “cuidado com a batina”, eu quero mesmo é insistir num outro aspecto totalmente diferente.


Um dos grandes significados da batina é lembrar ao padre e aos outros que ele abriu mão de muitas coisas para se dedicar a Cristo, na simplicidade, na pobreza, numa vida austera, embora cheia de alegria. Ou seja, a batina nos convida a renunciar a roupas ostensivas, roupas de marca, cores preferidas por nós, roupas da moda, etc. Por isso se diz que a batina é sinal de morte para o mundo. Neste sentido.


Mas eu percebo um pouco hoje entre nós padres e, talvez, mais ainda, entre seminaristas, uma atitude que é uma grande incoerência: usar a batina por vaidade. Fazer da batina um meio de ostentação. Já viram na internet fotos de padres e seminaristas fazendo poses de batina, querendo imitar fotos antigas, um pezinho pra frente, olhar para o infinito, uma boa quantidade de gel no cabelo, etc., etc?
A batina que tem que ter não sei quantos botões, em honra dos anos da vida de Jesus, das bem-aventuranças, dos coros angélicos... O tecido tem que ser tal que para dê uma boa caída. A faixa tem que ter tantos centímetros de largura, uma franja bem entrelaçada para lembrar a rede de São Pedro. A capinha para imitar S. João Bosco. O solidéu... Outro dia um jovem desistiu de nosso Seminário porque me perguntou se nossos seminaristas usavam solidéu e eu disse que não. Imaginem. Uma vocação condicionada a um solidéu... E o preço que às vezes se paga por uma batina, porque tem tal tipo de corte, é de tal marca... Até a batina virou roupa de marca.


O que acontece então? Aquela veste que seria um convite à simplicidade e à pobreza, torna-se ocasião de vaidade, de ostentação, de consumismo.

Nestes casos, o uso da batina não serve para mostrar a condição de ministros de Deus, mas para a pessoa se mostrar, se exibir através da batina.

Mais triste ainda quando a pessoa que faz uso da batina tem um comportamento que não condiz em nada com a condição de discípulos de Cristo, mortos para a vaidade e para as coisas mundanas.


Por isso digo: cuidado com a batina!
Não estou defendendo que não se use a batina. Até porque eu só ando de batina. Quero dizer que devemos usá-la corretamente. Ter cuidado porque o diabo, que se veste de anjo de luz, pode também querer usar da batina para nos fazer cair no contrário de tudo o que ela significa e nos recorda.


Cuidado com a batina! Cuidado para não deixar de lado este grande sinal.
Cuidado para não usá-la mal, deformando o seu significado. Cuidado para não transformar o remédio em veneno. Cuidado para não transformar o hábito que é um sinal do que trazemos lá dentro de nós, em uma capa que esconde o que lá dentro não está bem.


Dizer “cuidado com a batina” não é um convite para não usá-la, mas um apelo a usá-la corretamente, segundo o que realmente ela é e nos lembra: sinal de morte às coisas mundanas, entrega e consagração a Deus como seus ministros no seguimento de Cristo, a serviço de nossos irmãos.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

As lições que aprendi com o lápis! Por Jerônimo Lauricio.

Este texto foi publicado no site Catequese Católica, por Jerônimo Lauricio, que é Bacharel em Filosofia (e-mail: jeronimolauricio@gmail.com)! Infelizmente não temos como precisar a data que este texto foi publicado, mas como todo bom Amigo da Igreja é um texto rico que tem muito a nos ensinar. Espero que goste.

-----------------------------------------------------------

Certa vez alguém bem inspirado disse que a vida é um eterno aprendizado, onde os dias sempre surgem como a oportunidade de aprender novas lições. Estes dias  por exemplo, tenho sido particularmente sugerido por alguns ensinamentos do lápis. Inicialmente, fiquei fascinado com uma frase de Madre Teresa de Calcutá, que olhando para sua vocação, conclui: “Não sou nada, senão um instrumento, um pequeno lápis nas mãos do meu Senhor, com o qual ele escreve aquilo que deseja”. Quando me deparei diante deste fragmento, fiquei surpreso por encontrar tantas lições veladas em um simples objeto, lições importantes que se bem aprendidas nos sugerem uma gama de significados para a nossa vida, nossa história, nossa vocação.
Não gostaria de ser metódico ao discorrer sobre os ensinamentos sugeridos pelo lápis, contudo, penso que inevitavelmente o serei, pelo desejo de juntos explorarmos da sua riqueza, tal como o garimpeiro se dispõe quando encontra uma mina. Com o lápis aprendemos primeiro a lição da confiança e do abandono em Deus. Ele nos sugere que podemos fazer grandes coisas, mas não devemos nos esquecer que existe uma Mão que guia nossos passos, uma Mão que deseja nos conduzir. É preciso nos subtermos a essa Mão, deixar-nos ser conduzidos e orientados por ela, ainda que não seja do modo como gostaríamos que fosse. Um lápis sem uma mão que o tome e o oriente, não tem muito sentido.

Uma segunda lição, é que na vida da gente depois de algum tempo tempo, precisamos ser apontados. Passar pelo apontador não deve ser muito agradável ao lápis, mas para que a ponta fique evidente e apropriada para a escrita, ele precisa se deixar cortar. E deixar-se “cortar na carne'. É bem verdade que temos medo do apontador, e isso acontece porque sabemos que afiar a ponta significa quase sempre cortar excessos, aparar o que está sobrando, tirar o que não precisamos mais, e isso é muito difícil, embora seja necessário para o nosso crescimento. A beleza escondida nesta lição nos leva a uma terceira: ao passar pelo apontador, o lápis foi cortado em sua parte externa, mas também em seu interior. O grafite também foi modelado, renovado. Passou por um processo educador, porque educar, ex-ducere, quer dizer em latim, evocar a verdade; tirar, extrair, trazer para fora o novo. O que realmente importa no lápis, não é simplesmente a madeira ou seu aspecto externo, mas sobretudo, o grafite que está dentro. Para que a escrita fique perfeita, a ponta precisa ser feita por inteiro, daí a importância do cuidado com aquilo que acontece em nosso interior.
A quarta lição, é que o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. A necessidade da borracha nos faz abandonar atitudes e vícios, nos faz mudar comportamentos, mentalidade, convicções... Nos faz olhar em outras direções, pedir perdão, voltar atrás, recomeçar, superar o egoísmo e autossuficiência. É interessante como de um modo admirável o lápis nos ensina a necessidade que temos da borracha quando estamos diante do erro.

Finalmente, a quinta lição é que o lápis sempre deixa uma marca. Tudo o que fazemos de algum modo marca as pessoas, e marca sobretudo nós mesmos. A qualidade dessas marcas sempre resultam das escolhas que fazemos diante daquelas outras lições. É preciso deixar as boas marcas para as quais o lápis foi gerado. Se ainda não as deixamos, é tempo de recomeçar. É tempo de escrevermos uma nova história. É preciso tal como o lápis nos abandonarmos. O tempo é agora. O tempo é neste dia que se chama HOJE. Um Bom Mestre está sentado à mesa e à sua frente tem um lápis, apontador, borracha e uma folha em branco assinada. Ele olha para a folha, toma o lápis em sua mão e concorda com Santo Agostinho dizendo: “ter fé, isto é, se abandonar, é assinar uma folha em branco e deixar que Deus escreva nela com o lápis da nossa vida o que quiser”.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O culto às relíquias. Por Renan Augusto.

Este texto foi escrito por Renan Augusto, colunista do site da Diocese de Campos Mourão e um grande amigo que Deus me deu ao longo destes anos de caminhada dentro de sua Igreja!

-----------------------------------------------------------

Relicário com o sangue do Beato João Paulo II

O culto das relíquias está ligado ao culto da veneração dos santos, que é uma necessidade que faz parte dos sentimentos humanos, para testemunhar o respeito a pessoas veneráveis. A palavra “relíquia” tem sua origem no latim “reliquiae”, resto. Ela é um fragmento de um osso ou objeto que teve alguma relação com um Santo (a), como: terço, lenço, roupas, etc., ao qual nós católicos prestamos veneração. A Igreja definiu a segunte classificação para as relíquias: primeiro grau é constituído pelo corpo (osso, cabelo, etc), a de segundo grau pelos objetos pessoais do santo: (Roupas, terço, etc.), a terceira inclui pedaços de tecido que tocaram no corpo do santo ou no relicário onde se encontra os seus despojos. Só se venera publicamente as relíquias de primeiro grau, as de segundo e terceiro grau são para devoção particular.

A veneração às relíquias é confirmada pela relação física que o Santo (a) teve com Deus, porque foram templos do Espírito Santo e por Este utilizado para produzir boas obras. A relíquia permite manter-nos quase em contato com este corpo. Por isto que os seus restos mortais são honrados desde o início da Igreja, onde os primeiros cristãos recolhiam os despojos dos mártires e os sepultavam com reverencia, onde percebiam o valor espiritual que se prendia a tais elementos, mas a piedade dos fiéis com as relíquias era toda dirigida à pessoa do Santo, que se tornara intercessor diante de Deus. Assim se foi consolidando o culto das relíquias na Igreja.

A Sagrada Escritura oferece fundamento à prática cristã da veneração das relíquias. No Antigo Testamento vemos como Deus, mediante o mando do Profeta Elias se dignou a realizar um milagre, onde Elias ferindo o mar com esta relíquia separa o mar em duas bandas:

“Tomou o mando de Elias, que havia caído dele e bateu com ele nas águas, dizendo: ‘Onde está Iahweh, o Deus de Elias? ’ Bateu também nas águas, que se dividiram de um lado e de outro, e Eliseu atravessou o Rio.” (2 Reis 2,14)

Também podemos ver que os ossos de Elias, em contato com um cadáver, tornam-se instrumento de ressurreição:

“Aconteceu que, enquanto alguns homens estavam sepultando um morto, avistaram um desses bandos; jogaram o corpo dentro do túmulo de Eliseu e partiram. O corpo tocou nos ossos de Eliseu, recobrou vida e pôs-se de pé.” (2Rs 13,21).

No Novo Testamento também há várias passagens que dão base sólida a veneração das relíquias. Nos Atos dos Apóstolos São Lucas narra milagres e exorcismos ocorridos com relíquias de São Paulo ainda em vida:

“Entretanto, pelas mãos de Paulo, Deus operava milagres não comuns. Bastava, por exemplo, que sobre os enfermos se aplicassem lenços e aventais que houvessem tocado seu corpo: afastavam- se deles as doenças, e os espíritos maus saíam. Bastava, por exemplo, que sobre os enfermos se aplicassem lenços e aventais que houvessem tocado seu corpo: afastavam- se deles as doenças, e os espíritos maus saíam.” (Atos, 19, 11-12)

O Evangelho de São Mateus nos relata a história da hemorroísa que foi curada assim que tocou no manto de Jesus:

“Enquanto ia, certa mulher, que sofria de fluxo de sangue fazia doze anos, aproximou-se dele por trás e tocou-lhe a orla do manto, pois dizia consigo: ‘Será bastante que eu toque o seu manto e ficarei curada’. Jesus, voltando-se e vendo-a disse-lhe: “Ânimo minha filha, tua fé te salvou”. Desde aquele momento a mulher foi salva.” (Mateus 9, 20-22)

É importante reconduzir a devoção pelas sagradas relíquias, mas também é fácil cair na superstição, achando que a relíquia é um amuleto, relíquia não é amuleto. Quando oro diante do corpo de um Santo, agradeço a Deus que conduziu esta pessoa no caminho rumo à Santidade. A Igreja não só recomenda a veneração das relíquias, mas se preocupa também com os abusos e irreverências. Exige que as relíquias sejam autenticadas, mediante documento oficial pela autoridade competente, para que possam ser expostas para veneração pública.

Portanto, o que mostra como a Igreja sempre valorizou as relíquias é o fato de que durante séculos não se consagrava altar algum sem que na respectiva pedra d´ara houvesse alguma relíquia. A missa era celebrada num altar de pedra ou havia sempre uma pedra no seu centro onde sobre ela, eram colocados a patena e o cálice da celebração à qual se juntavam as relíquias dos mártires. Este fato nos mostra como a Igreja une o sacrifício de Cristo e a morte dos justos cristãos.

A Igreja proíbe fazer negócio com as relíquias dos Santos. Por este motivo nunca devem ser vendidas. Devemos sempre nos lembrar que, por meio dos Santos, adoramos a Deus.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Empresa. Por Patresse Ferreira de Oliveira.

Este texto foi enviado por um amigo que é um grande Amigo da Igreja, Patresse que também é Coordenador do grupo de Cerimoniarios daqui da nossa paróquia, que mostra através de seu exemplo de jovem no século XXI o quanto é possível chegar a Deus usando calça jeans! 

-------------------------------------------------------   

Deus tem uma empresa que se chama Vinha, é uma empresa imensa, ela move inteiramente todo o mundo, tem funcionários trabalhando em cada parte do planeta. É uma empresa tão imensa que sempre precisa mais e mais de empregados, porque e messe é grande e cada novo coração é sempre bem vindo, não existe limite de vagas para essa empresa. Um dia duas pessoas enviaram seus currículos, mas o currículo dessa empresa é diferente porque ela é feita através da oração.

A Primeira pessoa enviando o seu currículo disse.

– Pai eu tenho formação em Batismo, Catequese, Crisma, vou à missa todos os domingos. Sirvo ao grupo de oração também. E foi falando de todas as obras e no final tinha que dar uma justificativa e o que queria fazer na empresa e sua justificativa foi essa:

– Deus, sou um servo bom, mereço um alto cargo por minhas qualidades. Como Deus conhece todos os corações da Terra, Ele sabia que essa pessoa esqueceu-se de falar dos seus defeitos, de reconhecer todos seus erros, quando reclamou que a cruz estava pesada demais em vez de abraçá-la. Que pensava que era melhor que todos.  

O segundo currículo:

– Senhor sou especialista em tráfico de drogas, táticas de assaltos, assassinatos, sem experiência cristã nenhuma. Em sua justificativa disse:

– Senhor eu nunca fui à igreja, hoje ouvi Seu nome pela primeira vez em minha vida, durante toda a minha vida sempre fiz coisas ruins, já matei, roubei, usei drogas até me prostituí, mas sempre sonhei em sair dessa vida por isso nem sou digno de chamá-lo de Pai, nunca tive opções em minha vida, por isso acabei me tornando tudo isso. Amor? Eu não conheço muito essa palavra, mas acho que chega perto do que sinto pela minha mãe, eu gosto muito dela. Procurando ser alguém melhor. Me falaram da sua empresa e sobre quem é o Senhor, e gostaria de ter uma oportunidade de trabalhar nela, te peço perdão por tudo o que eu fiz, quero começar uma nova vida. Assim o Senhor pode me ensinar a ser um bom operário.  

Quantas vezes meus irmãos pensamos que somos dignos das melhores promessas de Deus, por estar servindo a Ele, e queremos os melhores lugares, que tudo tem que ser fácil! Claro o primeiro currículo está certo porque se dedica a Deus, mas não é humilde, não reconhece seus erros, se preocupa só com sigo, o que adianta se a aparência esta perfeita, mas o coração é duro como uma pedra? Já o segundo quantos erros, uma aparência destruída, uma vida inteira sem saber quem é Deus, mas quando conhece o Senhor nasce uma esperança em sua vida, o arrependimento, o reconhecimento que não é digno das promessas de Deus, mas pede uma chance para mudar.

Se hoje você que conhece Deus, que está em um bom cargo na vinha Dele, pensa que não vai mais cair, que não precisa mais agradecer as obras, que já tem o céu em suas mãos. Pare e recomece a mudar a sua vida, não permita que essas pedras destruam sua vida cristã, porque Deus dá poder ao homem, mas o homem muitas vezes se deixa morrer pelo poder; nunca deixe de orar, de agradecer, se preciso caia no chão para aquele irmão que nem conhece a Deus passar por cima de você, porque é por esse ato que você vai estar realmente trabalhando pra Deus. Nunca pense que está acima de outro homem ou que não precisa fazer um pequeno trabalho para Deus, é no simples que realmente Deus te reconhece. Pense bem, como você escreveria seu currículo hoje para Deus?

Nem preciso dizer quem ganhou o emprego não é? Amém.

Medite na Bíblia Lucas capítulo 19, de 9 ao 14.

terça-feira, 26 de março de 2013

Breve história do Diaconato. Por Diácono Israel Cabral.

Este texto foi enviado pelo Diácono Permanente Israel, da Arquidiocese Militar do Brasil que nos ensina um pouco sobre esta realidade da Igreja!

 ----------------------------------------------------------


Diaconato é o primeiro grau do Sacramento da Ordem. Os outros dois são o presbiterato e o episcopado, portanto, diáconos, presbíteros e bispos compõem a hierarquia da Igreja. As mãos lhes são impostas para o ministério e não para o sacerdócio. Com a ordenação o diácono deixa sua condição de leigo e passa a fazer parte do clero. Esse Sacramento imprime caráter, que o faz diácono por toda a eternidade. Não há como retroceder.

O diaconato foi instituído pelos apóstolos. Podemos ver em Atos 6,1-6 a imposição de mãos sobre os primeiros sete diáconos: Filipe, Prócoro, Nicanor, Tímon, Pármenas, Nicolau e Estevão que foi o primeiro mártir (At. 6,8-7,60). Podemos, ainda, ver outras referencias como Fl 1,1 e 1Tm 3,8-ss.

Existem dois tipos de diáconos: o diácono transitório é aquele que recebe o sacramento da ordem no grau de diaconato para depois receber o segundo grau e tornar-se presbítero, ou padre, conforme costumamos dizer; e o diácono permanente, que sendo casado, não pode ascender ao grau superior, ficando permanentemente como diácono.

Exigências para o Diaconato Permanente.

As normas da Igreja fazem algumas exigências para a ordenação de diáconos permanentes: a formação deve durar pelo menos três anos (no mínimo mil horas) e deve conter obrigatoriamente Teologia Bíblica, Dogmática, Litúrgica e Pastoral; o candidato deve estar casado no mínimo cinco anos; tem que ter pelo menos 35 anos. Vida matrimonial e eclesial exemplares. Autorização verbal da esposa, no momento da ordenação e por escrito, arquivada no processo. Todas as dioceses têm normas específicas, exemplo: segundo grau completo, situação econômica estável, indicação do pároco, entrevistas com o Bispo (inclusive esposas), idade superior a quarenta anos, retiros espirituais a cada seis meses para que se possa meditar sobre sua vocação; estar intimamente ligado a uma paróquia, onde venha prestando valiosos serviços; complementar seus estudos com Teologia Moral, História da Igreja, Direito Canônico e Mariologia. Ser homem de oração e assíduo na freqüência aos sacramentos. De modo geral o candidato é escolhido entre aqueles que se sobressaem na comunidade por sua espiritualidade e engajamento na paróquia, todavia, nada impede que alguém explicite ao pároco ou mesmo ao bispo diocesano sua vocação de servir à Igreja como ministro ordenado.

As funções do diácono.

DIACONIA quer dizer SERVIÇO, então o Diácono é ordenado para SERVIR. Faz parte do ministério do Cristo Servo, que veio para servir e não para ser servido O ministério do diácono é voltado para o serviço à comunidade. A estola atravessada no peito mostra a horizontalidade de suas funções. A Lumem Gentium diz que: servem o povo de Deus na diaconia da liturgia, da palavra e da caridade (LG 29). Na liturgia eucarística, o diácono tem funções próprias: servir o altar, proclamar o Evangelho, fazer a homilia, quando autorizado pelo padre, convidar para o abraço da paz, purificar os vasos sagrados e fazer a despedida. Deve, ainda, São ainda funções do diácono: - Instruir e exortar o Povo de Deus e incentivar a participação correta e efetiva da assembléia na divina liturgia. - Conservar e administrar a eucaristia - Administrar solenemente o batismo - Assistir e abençoar o matrimônio - Realizar o rito funeral e da sepultura - Administrar os sacramentais - Atuar, preferencialmente na caridade - Assistir a comunidade carente - Participar da administração diocesana ou paroquial.

O exercício do ministério.

Teoricamente pode exercer seu ministério em qualquer lugar do mundo, afinal de contas ele recebeu um sacramento válido e a Igreja é una, santa e católica, ou seja, é UNIVERSAL, no entanto, o diácono está intimamente ligado ao bispo diocesano a quem deve plena obediência. O bispo pode colocá-lo como auxiliar de um pároco, contudo, ele tem a faculdade de auxiliar em outra paróquia, desde que disponha de tempo e tenha a autorização do titular competente.

A vida matrimonial do diácono.

Os documentos de santo Domingo nos dizem que o diácono permanente é o único a viver a dupla sacramentalidade - da ordem e do matrimônio. Um não elimina o outro. A vida matrimonial é portanto vivida em sua plenitude. Esta é a razão pela qual a esposa tem que autorizar, por escrito, e de viva voz, no momento da ordenação. O bispo pede a sua autorização para ordenar seu marido. A vocação do diácono permanente é uma vocação familiar e não pessoal, a esposa é um esteio para o bom desempenho da vida diaconal. Ela deve viver com ele esta diaconia, os filhos devem apoiar o pai e saber que a ausência dele, em alguns momentos, é para o bem da comunidade e da própria família. O trabalho do diácono é uma doação à Igreja. Por isso, ele não recebe nada da Igreja. No entanto, nada impede que seja ressarcido de todos os gastos que venha a fazer como, por exemplo, com o combustível que gasta em suas locomoções no exercício de seu ministério. Geralmente o Diácono, além de nada receber, presta sua ajuda pecuniária à paróquia onde atua.

Fontes: Documento 74 da CNBB e Diretrizes para formacao e Ordenação de Diáconos Permanentes.