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sexta-feira, 7 de abril de 2023

Como ficou o corpo de Jesus após a crucifixão?

O escultor espanhol e catedrático da Universidade de Sevilha, Juan Manuel Miñarro estudou durante dez anos o Santo Sudário de Turim.

Como resultado esculpiu um Crucificado que, segundo o artista, seria uma reprodução científica do estado físico de Nosso Senhor Jesus Cristo depois de sua morte.

Jesus Crucificado segundo o Santo Sudário: estreita concordância com as imagens tradicionais
O autor não visava provar a existência de Jesus de Nazaré, mas destacar os impressionantes acertos anatômicos constatados no estudo científico doSanto Sudário.

O professor Miñarro disse à BBC Brasil que, embora tenha privilegiado a “exatidão matemática”, “essa imagem só pode ser compreendida com olhos de quem tem fé”.

“A princípio, ela pode chocar pelo realismo, mas ela reproduz com fidelidade a cena do Calvário”, completou. Miñarro levou mais de dois anos para concluir sua obra.

O escultor não trabalhou só. Ele presidiu o trabalho de um grupo de cientistas que levaram adiante uma investigação multidisciplinar do Sudário de Turim.

O crucificado é o único “sindônico” no mundo, pois reflete até nos mais mínimos detalhes os múltiplos traumatismos do corpo estampado no Santo Sudário.  A imagem representa um corpo de 1,80 metros de altura, de acordo com os estudos no Sudário feitos pelas Universidades de Bolonha e Pavia. Os braços e a Cruz formam um ângulo de 65 graus.

A Coroa de Espinhos tinha forma de casco, cobrindo toda a cabeça, e foi feita com jujuba “ziziphus jujuba”, uma espécie de espinheiro cujas agulhas não se dobram.

A pele apresenta exatamente o aspecto de uma pessoa morta há uma hora. O ventre aparece inchado por causa da crucifixão.

O braço direito aparece desconjuntado pelo fato do crucificado se apoiar nele à procura de ar durante a asfixia sofrida na Cruz. O polegar das mãos está virado para dentro, reação do nervo quando um objeto atravessa a munheca.

A escultura reflete também a presença de dois tipos de sangue: o vertido antes da morte e o derramado post mortem. Também aparece o plasma da ferida do costado, de que fala o Evangelho.

A elaboração destes pormenores foi supervisionada por hematologistas. A pele dos joelhos está aberta pelas quedas e pelas torturas.

Há grãos de terra incrustados na carne que foram trazidos de Jerusalém.
As feridas são típicas das produzidas pelos látegos romanos, que incluíam bolas de metal com pontas recurvadas para rasgar a carne.

Não há zonas vitais do corpo atingidas pelos látegos porque os verdugos poupavam essas partes para que o réu não morresse na tortura.

A maçã do rosto do lado direito está inchada e avermelhada pela ruptura do osso malar.

A língua e os dedos do pé apresentam um tom azulado, característicos da parada cardíaca.

Por fim, embaixo da frase em hebraico “Jesus Nazareno, rei dos judeus”, a tradução em grego e em latim está escrita da direita para a esquerda, erro habitual naquela época e naquela região. A escultura esteve exposta na igreja de São Pedro de Alcântara, Córdoba, Espanha, e saiu em procissão pelas ruas da cidade durante a Semana Santa.

Com os mesmos critérios e técnicas, Miñarro está criando outras imagens que representam a Nosso Senhor em diferentes momentos de sua dolorosa Paixão.

* * *

Isaías 53

“Ele subirá como o arbusto diante dele, e como raiz que sai de uma terra sequiosa; ele não tem beleza, nem formosura; vimo-lo, e não tinha aparência do que era, e por isso não tivemos caso dele.

“Ele era desprezado, o último dos homens, um homem de dores; experimentado nos sofrimentos; o seu rosto estava encoberto; era desprezado, e por isso nenhum caso fizeram dele.

“Verdadeiramente ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas, e ele mesmo carregou com as nossas dores; nós o reputamos como um leproso, como um homem ferido por Deus e humilhado.

“Mas foi ferido por causa das nossas iniqüidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e nós fomos sarados com as suas pisaduras.” (53, 2-5).



domingo, 8 de setembro de 2019

O fascinante mistério da Natividade de Maria


Por Elizabeth Scalia / Aleteia Brasil | Set 08, 2016

Até uma sutileza na genealogia sagrada aponta que, agora, tudo é diferente...

O “O teu nascimento, ó Virgem Mãe de Deus, proclama alegria ao mundo inteiro, porque de ti nasceu o Sol glorioso da Justiça, o Cristo, nosso Deus; Ele nos libertou da antiga maldição e nos encheu de santidade; Ele destruiu a morte e nos deu a vida eterna” (antífona do Cântico de Zacarias, na oração da manhã para 8 de setembro, dia da Natividade de Maria).

Na festa de hoje, que honra o nascimento de Maria, a Mãe de Deus, o Evangelho apresenta a genealogia e a Anunciação conforme descritas por São Mateus: toda a lista de patriarcas e pais, com a ocasional menção da mãe:

“Judá gerou Farés e Zara, cuja mãe era Tamar … Davi gerou Salomão, cuja mãe tinha sido a mulher de Urias…”

E assim por diante. Até que…

“Aquim gerou Eliúde. Eliúde gerou Eleazar. Eleazar gerou Matã. Matã gerou Jacó. Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo”.

A genealogia vai seguindo uma linha e, de repente, acontece uma reviravolta: de repente, mais um homem é nomeado, mas ele não é apontado como o pai de alguém, e sim como o marido daquela que é mãe! A Mãe do Criador. A Mãe do Cristo.


Esta sutileza da narrativa sinaliza que algo agora é muito diferente. A partir de agora, entendemos que nada mais será como era.

Consideremos ainda:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus” (João 1,1).

“No início, quando Deus criou os céus e a terra, a terra era um deserto sem forma e as trevas cobriam o abismo, enquanto um vento forte varria as águas. Então Deus disse: ‘Haja luz’, e houve luz” (Gênesis 1,1-3).

Ambas as passagens descrevem algo que surge do nada; ambas falam de vazios e espaços. Em março, quando falamos da Anunciação, esses textos muito bem poderiam descrever a condição do seio virginal de Maria, mas talvez, hoje, também se possam contemplar essas palavras como referência à alma de Maria no momento da sua concepção. O Deus que É, que Foi e que sempre Será sabia quem seria a Sua Arca da Nova Aliança, pois Ele próprio iria providenciá-la: aquela a quem Gabriel chamou “a cheia de graça”.

Voltando às linhas do Gênesis e de João, quase podemos considerar Maria no útero como uma espécie de espelho do “nada” em repouso que existia antes da criação: uma criatura criada, amada a ponto de chegar a ser e marcada pela graça, está esperando para nascer. Ela vive e cresce no silêncio; como modelo de quiescência.

Da folha em branco de Maria vem o resto da história. Salvação. Resgate. O Caminho de volta.

Por que Maria é tão importante para os católicos? Por que honrá-la tão grandemente e chamá-la Bem-Aventurada e Santa? Ela não era “apenas uma mulher”?

Sim, mas… não. Ela é “a cheia de graça”. E teria que ser. Eu sou apenas uma mulher; bilhões de pessoas são “apenas mulheres”; a maioria delas são pessoas boas e decentes, mas será que qualquer uma delas poderia ter sido a “Arca” excepcional destinada a carregar em si, nutrir e dar à luz o seu Criador e Salvador?

A bondade de Maria não era por mérito próprio; a ela foi dada a graça. A ela foi dada ainda a graça de dizer “sim”, mesmo quando um “não” teria sido perfeitamente compreensível, dada sua idade e sua época. Ela reconhece tudo isso em seu esplêndido Magnificat, compartilhado pelo Evangelho de Lucas.

Nós recordamos e celebramos o fato de seu nascimento porque – merecido ou não – ela foi a escolhida de Deus para acender uma chama que ainda arde na humanidade.

Celebramos hoje o nascimento de Maria, a Theotokos, aquela que nos traz o Deus encarnado; a mãe sublime que Jesus, ao pé da sua cruz, deu a cada um de nós.

“O Pai se regozija em olhar para o coração da Santíssima Virgem Maria como a obra-prima de suas mãos. O Filho se regozija nele como o coração de Sua Mãe, a fonte de Seu próprio Sangue que nos resgatou” (São João Maria Vianney).


Fonte: Site Aleteia.

domingo, 21 de abril de 2019

O que é o Círio Pascal: Origem e Tradição


Olá pessoal do Blog! Eu tenho estado meio afastado daqui não é verdade?! Mas tenho estado bem presente nas nossas redes sociais!

Hoje fui na Missa, me alegrar com meus amigos e familiares pela Ressurreição de Cristo! E vendo nosso Círio Pascal (foto) me despertou o interesse de fazer esse post!

Então FELIZ PÁSCOA e vamos ler sobre o Círio Pascal?!...

* * * * *

O Círio Pascal é a grande vela acesa que simboliza o Senhor Ressuscitado. É o símbolo mais destacado do Tempo Pascal, que fica sobre uma elegante coluna ou candelabro enfeitado. A palavra “círio” vem do latim “cereus”, de cera, o produto do labor das abelhas.

O uso do círio pascal é anterior ao século VI. O rito de acender o círio pascal nasceu de um costume diário dos cristãos. Sem eletricidade, o ato de acender a luminária, ao cair da noite, se tornara um rito familiar, que trazia alegria e segurança. O círio pascal representa Jesus que é a luz que ilumina a noite da humanidade.

No século VIII, era costume que a igreja permanecesse no escuro depois de terminada a celebração vespertina da Quinta-Feira da Paixão, até o Sábado. Não eram permitidas luzes de velas na igreja na Sexta-Feira da Paixão. Para conservar uma chama do fogo, uma lamparina permanecia guardada acesa num outro lugar que não fosse a igreja. A luz era trazida de volta para dentro da igreja no Sábado da Paixão à noite. Essa luz possibilitava a leitura dos textos bíblicos para a comunidade.

Somente mais tarde se tem notícia a respeito do costume de se fazer uma fogueira no Sábado da Paixão. Do fogo da lenha, pega-se o Fogo Novo que iluminará o novo tempo, o tempo pascal. O fogo é o símbolo do Espírito Santo. Ele é a força vital da Igreja.

O Círio Pascal é aceso na vigília Pascal como símbolo de Cristo – Luz. Ele é preparado na primeira parte da Vigília e aceso no Rito do Fogo Novo.

O Círio é aceso, no Fogo Novo, pelo diácono. A seguir, o diácono apresenta o círio para a comunidade, dizendo: A luz de Cristo, segue então uma procissão até o recinto da celebração. O círio vai na frente, levado pelo diácono, e a comunidade segue logo atrás. O recinto da celebração está totalmente no escuro. Antes de entrar nele, todos acendem suas velas no círio pascal.

O Círio Pascal é, desde os primeiros séculos, um dos símbolos mais expressivos da vigília, por isso ele traz uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras Alfa e Ômega, a primeira e a última do alfabeto grego, para indicar que a Páscoa do Senhor Jesus, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos. O Círio Pascal tem em sua cera incrustado cinco cravos de incenso simbolizando as cinco chagas santas e gloriosas do Senhor da Cruz.

As cinco chagas de Cristo:

1. A coroa de espinhos
2. O prego da mão direita
3. O prego da mão esquerda
4. O prego dos pés, e
5. O corte feito no lado direito do seu peito.

O Círio Pascal ficará aceso em todas as celebrações durante as sete semanas do Tempo Pascal, ao lado do ambão da Palavra, até a tarde do domingo de Pentecostes.

Uma vez concluído o Tempo Pascal, o Círio é dignamente conservado no batistério ou sacristia. Depois o Círio Pascal é usado durante os batismos e as exéquias, ou seja, no princípio e ao término da vida temporal, para simbolizar que um cristão participa da luz de Cristo ao longo de todo seu caminho terreno, como garantia de sua incorporação definitiva à Luz da vida eterna. Na liturgia do batismo, a vela batismal é acesa no círio, antes de ser entregue aos recém batizados (ou pais e padrinhos). Também se acende o Círio nas celebrações dos Sacramentos da Eucaristia e Crisma, para renovação das promessas do batismo.

Não é usual que se use o Círio Pascal fora da Igreja, e antigamente, nem se permitiam réplicas dele. Hoje no entanto, em alguns momentos ele é usado para encontros e são feitas réplicas para a catequese nas pastorais e para que as famílias tenham em casa a lembrança do Cristo-Luz.

Fonte: Site Cleofas.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Há 60 anos, foi anunciado o Concílio Vaticano II por São João XXIII



Vaticano, 25 Jan. 19 / 12:25 pm (ACI).- Em um dia como hoje, 25 de janeiro, mas no ano de 1959, o Papa João XXIII anunciou na Basílica de São Paulo Extramuros para cerca de 20 cardeais reunidos em Consistório o desejo de convocar o Concílio Vaticano II.

"Meus veneráveis irmãos do colégio cardinalício! Pronuncio diante de vós, por certo tremendo um pouco pela comoção, mas ao mesmo tempo com humilde firmeza de propósito, o nome e a proposta da dúplice celebração de um Sínodo diocesano para Roma e de um Concílio geral para a Igreja universal", foram as palavras proferidas pelo Pontífice.

De acordo com o secretário do Papa, em declarações coletadas por Vatican News nesta sexta-feira, 25 de janeiro, os presentes na Basílica Romana responderam com absoluto silêncio, sem aplausos. O assombro se espalhou entre todos os cardeais ao escutarem a materialização de um trabalho que parecia inabarcável e que havia sido adiado por muitos anos.

O anúncio, totalmente inesperado, ocorreu justo após a semana de oração pela unidade dos cristãos, quando João XXIII tinha apenas três meses na sede de Pedro.

Com essa convocação, São João XXIII confirmou que suas intenções não eram simplesmente de ser um Papa de transição, mas que, apesar de sua idade de 77 anos, ele pretendia deixar uma marca profunda na Igreja.

No momento da convocação, nem o Papa nem seus assessores tinham muito claro o conteúdo do Concílio. O mesmo Pontífice afirmaria em uma mensagem em 29 de abril de 1959 que "na hora de anunciar o Concílio Ecumênico escutamos a inspiração" do Espírito Santo.

Após o anúncio do Concílio Ecumênico, começou um longo processo de preparação até a sua inauguração em 11 de outubro de 1962, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Seu objetivo era o "aggiornamento", a atualização da Igreja para aproximá-lo do mundo atual.

Seu trabalho foi dividido em quatro etapas e cerca de 2.000 Padres Conciliares do mundo inteiro participaram.

Embora no momento do anúncio, na Basílica de São Paulo, o caminho a seguir não estivesse claro, o trabalho feito para a sessão de abertura ajudou a esclarecer os seus objetivos: não se tratava de definir novas verdades nem de condenar erros, mas era necessário renovar a Igreja para torná-la capaz de transmitir o Evangelho nos novos tempos.

Em seu discurso de abertura, o Papa falou algumas palavras que mostravam a esperança e a confiança no Espírito Santo com as quais a Igreja se comprometeu com o Concílio: "O Concílio, que agora começa, surge na Igreja como dia que promete a luz mais brilhante. Estamos apenas na aurora: mas já o primeiro anúncio do dia que nasce de quanta suavidade não enche o nosso coração! Aqui tudo respira santidade, tudo leva a exultar!".

O Concílio Vaticano II terminou em 8 de dezembro de 1965, já com o Papa São Paulo VI, eleito Sucessor de Pedro em 21 de junho de 1963, após a morte de São João XXIII em 3 de junho daquele mesmo ano.


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

São Domingos e os demônios

No pequeno livrinho "O segredo admirável do Santo Rosário para se converter e se salvar" (clique aqui para ler), narram-se as glórias dessa insigne devoção. Escrito por ninguém menos que São Luís Maria Grignion de Monfort. Nesse dia, dedicado a São Domingos, queremos trazer uma das histórias maravilhosas que o autor do Tratado da Verdadeira Devoção nos deixou:

Quando São Domingos estava pregando o Rosário perto de Carcassona, trouxeram à sua presença um albigense que estava possesso pelo demônio. São Domingos o exorcizou na presença de uma grande multidão de pessoas [1]; parece que mais de doze mil pessoas tinha vindo ouvi-lo pregar. Os demônios que possuía este infeliz foram obrigados a responder às perguntas de São Domingos, com muito constrangimento.

Eles disseram que:
1- Havia quinze mil deles no corpo deste pobre homem, porque ele atacou os quinze mistérios do Rosário.
2- Eles continuaram a testemunhar que, quando São Domingos pregava o Rosário ele impunha medo e horror nas profundezas do inferno e que ele era o homem que eles mais odiavam em todo o Mundo, isto por causa das almas que ele arrancou dos demônios através da devoção ao Santo Rosário.
3- Eles então revelaram várias outras coisas.

São Domingos colocou seu Rosário em volta do pescoço do albigense e pediu que os demônios lhe dissessem quem de todos os santos nos Céus, eles mais temiam, e quem deveria ser, portanto, mais amado e reverenciado pelos homens. Neste momento, eles soltaram um gemido inexprimível no qual a maioria das pessoas caiu por terra, desmaiando de medo. Então, usando de esperteza, a fim de não responder, os demônios começaram a chorar e prantear numa maneira tão deprimente que muitos da multidão começaram a chorar também, movidos por compaixão natural.

Os demônios falaram através da boca do albigense, com uma voz dolorida: “Domingos! Domingos! Tenha piedade de nós, nós prometemos que nós nunca o machucaremos. Você sempre teve compaixão pelos pecadores e aqueles que estão na miséria; tenha piedade de nós, pois estamos padecendo. Já estamos sofrendo tanto, por que você se compraz em aumentar as nossas penas? Não pode se dar por satisfeito só com o nosso sofrimento, sem ter que aumentá-lo? Tenha piedade de nós! Tenha piedade de nós!”

São Domingos não se mostrou nem um pouco movido de compaixão por estes espíritos, e lhes disse que não os deixaria a sós até que eles respondessem a pergunta. Então eles disseram que iriam sussurrar a resposta de tal forma que apenas São Domingos seria capaz de ouvi-los. Ele disse que deveriam responder claramente e em alta voz. Então os demônios se mantiveram quietos e se negaram a dizer uma só palavra, desconsiderando completamente as ordens de São Domingos que ajoelhou-se e rezou à Nossa Senhora: “Oh, toda poderosa e maravilhosa Virgem Maria, eu vos imploro pelo poder do Santíssimo Rosário, ordene a estes inimigos da raça humana que me respondam.”

Havia apenas terminado de orar, quando viu a seu lado uma chama ardente sair dos ouvidos, narinas e bocas do albigense. Todos tremeram de medo, mas o fogo não machucou ninguém. Então os demônios disseram: “Domingos, nós te imploramos, pela paixão de JESUS CRISTO e pelos méritos de Sua Santa Mãe e de todos os santos, deixe-nos sair desde corpo sem que falemos mais, pois os Anjos responderão sua pergunta a qualquer momento. E além do mais, não somos nós mentirosos? Então por que haveriam de crer em nós? Não nos torture mais; tenha piedade de nós.” “Pior para vocês, espíritos desgraçados e indignos de serem ouvidos”.

São Domingos ajoelhou-se e rezou a Nossa Senhora: “Oh, digníssima Mãe da Sabedoria, oro pelas pessoas aqui reunidas que já tinham aprendido como rezar a Saudação Angélica devotamente. Por favor, eu imploro, forçai vossos inimigos a proclamar a verdade completa e nada mais que a verdade sobre isto, aqui e agora, diante desta multidão.” São Domingos mal tinha terminado esta oração quando viu a Santíssima Virgem perto de si, rodeada por uma multidão de Anjos.

Ela bateu no homem possesso com um cajado de ouro que segurava e disse: “Responda ao meu servo Domingos imediatamente.” (Lembre-se que as pessoas nem viram ou ouviram Nossa Senhora, mas somente São Domingos.) Então os demônios começaram a gritar: “Oh, vós, que sois nossa inimiga, nossa ruína e nossa destruição, por que descestes do Céu só para nos torturar tão cruelmente? Oh, Advogada dos pecadores, vós que os tirais das presas do inferno, vós que sois o caminho certeiro para os Céus, devemos nós, para nosso próprio pesar, dizer toda a verdade e confessar diante de todos quem é que é a causa de nossa vergonha e nossa ruína?”

“Oh, pobre de nós, príncipes da escuridão: então, ouçam bem, vocês cristãos: a Mãe de JESUS CRISTO é todo-poderosa e ela pode salvar seus servos de caírem no inferno. Ela é o Sol que destrói a escuridão de nossa astúcia e sutileza. É ela que descobre nossos planos ocultos, quebra nossas armadilhas e faz com que nossas tentações fiquem inúteis e sem efeito Nós temos que dizer, porém de maneira relutante, que nem sequer uma alma que realmente perseverou no seu serviço foi condenada conosco; um simples suspiro que ela oferece à SANTÍSSIMA TRINDADE é mais precioso que todas as orações, desejos e aspirações de todo os santos”.

“Nós a tememos mais que todos os santos nos Céus juntos e não temos nenhum sucesso com seus fiéis servos. Muitos cristãos que a invocam quando estão na hora da morte e que seriam condenados, de acordo com o nossos padrões ordinários, são salvos por sua intercessão. Oh, se pelo menos essa Maria (assim era na sua fúria como eles a chamaram) não tivesse se oposto aos nossos desígnios e esforços, teríamos conquistado a Igreja e a teríamos destruído há muito tempo atrás; teríamos feito que todas as Ordens da Igreja caíssem no erro e na desordem”.

“Agora, que nós somos forçados a falar, também lhe diremos isto: ninguém que persevera ao rezar o Rosário será condenado, porque ela obtém para seus servos a graça da verdadeira contrição por seus pecados e por meio dele, eles obtêm o perdão e a misericórdia de Deus.”

Então São Domingos fez com todos rezassem o Rosário bem devagar e com grande devoção, e algo maravilhoso aconteceu: a cada Ave Maria que ele e o povo rezava, um grande grupo de demônios saia do corpo do infeliz, em forma de brasas acesas. Quando os demônios foram todos expulsos e o herege se viu inteiramente livres deles, Nossa Senhora (que ainda se mostrava invisível) deu sua benção ao povo reunido, e eles se encheram de alegria por isto. Muitos hereges se converteram por causa deste milagre e ingressaram na Confraria do Santíssimo Rosário.


[1] N.T. Este incidente é referido por S. Luís no “Tratado da Verdadeira Devoção à SSma. Virgem” quando ele explica que aqueles que amam a Nossa Senhora não se perdem. Cf. parágrafo 42.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Apresentação de Nossa Senhora

A memória da Apresentação de Nossa Senhora no Templo

Após o Concílio Vaticano II, a Igreja reformulou seu calendário litúrgico, surgindo então uma coleção de 'Missas da Virgem Santa Maria', como Apêndice ao Missal Romano. Dentre as festividades marianas do calendário está a memória obrigatória da Apresentação de Nossa Senhora no Templo, comemorada no dia 21 de novembro. No que se refere ao culto mariano, o Concílio dedicou um capítulo especial exortando todos os fiéis ao culto à Virgem Maria, de maneira essencialmente litúrgico (Lumen Gentium, 67), ou seja, associado à celebração das festas litúrgicas.

O Concílio destacou o lugar da Mãe de Deus na Liturgia da Igreja na celebração do ciclo anual dos mistérios de Cristo: “a santa Igreja venera com especial amor, porque indissoluvelmente unida à obra de salvação do seu Filho, a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, em quem vê e exalta o mais excelso fruto da Redenção, em quem contempla, qual imagem puríssima, o que ela, toda ela, com alegria deseja e espera ser.” (SC 103)¹

História

Esta celebração antiga iniciou-se no século VI, em Jerusalém, quando da construção de uma igreja em homenagem a este mistério. A Igreja do Oriente, acolheu e conservou zelosamente as tradicionais festas marianas, reservando à apresentação de Maria uma memória particular, como um dos mistérios da vida daquela que Deus escolheu para Mãe de seu Filho Unigênito. A partir do século XVI, tornou-se uma festa da Igreja Católica do mundo inteiro.

Como o nascimento da Virgem Maria, este episódio não é narrado nas Sagradas Escrituras, mas em evangelhos apócrifos, em particular no Proto-evangelho de São Tiago. De acordo com os relatos, os pais da Virgem Maria, Joaquim e Ana, que não podiam ter filhos, receberam uma mensagem de que teriam um filho. Como agradecimento pela graça da filha que lhes veio, eles a levaram ainda pequena para o Templo em Jerusalém para consagrá-la a Deus. Versões posteriores da história (como no Evangelho de Pseudo-Mateus e no Evangelho da Natividade de Maria²) nos contam que Maria foi levada para o Templo com cerca de três anos de idade para cumprir uma promessa. A tradição conta que ela permaneceu ali para se preparar para o seu futuro papel como Mãe de Deus (Theotokos em grego).

Celebração litúrgica

Na Liturgia das Horas, lê-se: “Neste dia da solene consagração da igreja de Santa Maria Nova, construída junto ao templo de Jerusalém, celebramos com os cristãos do Oriente aquela consagração que Maria fez a Deus de si mesma desde a infância, movida pelo Espírito Santo, de cuja graça ficará plena na sua imaculada conceição”.³

Portanto, a apresentação de Maria tem um importante propósito teológico: continua o impacto das festas da Imaculada Conceição e do nascimento de Maria. Ele enfatiza que a santidade conferida a Maria foi desde o início de sua vida na Terra e continuou pela sua infância. Disse São Germano de Constantinopla na homilia sobre a Apresentação: Esta menininha prepara o aposento para acolher a Deus, “mas não é o templo que a santifica e purifica, e sim a sua presença que purifica inteiramente o templo”.

Para a Igreja Católica, no dia da Apresentação de Maria, “celebramos a dedicação de si própria que Maria fez a Deus desde a sua tenra infância sob a inspiração do Espírito Santo, que preencheu-a com sua graça…”. O papa Paulo VI, em sua encíclica de 1974, Marialis Cultus, escreveu que “apesar de seu conteúdo apócrifo, [a história da Apresentação] apresenta elevados e exemplares valores e avança veneráveis tradições de origem nas igrejas orientais”.

As três festas do Nascimento, Santo Nome de Maria e a Apresentação no Templo correspondem com as três primeiras festas do ciclo de Jesus, o Nascimento de Jesus (Natal), o Santo Nome de Jesus e a Apresentação de Jesus no Templo.

O dia 21 de novembro é também um dia Pro Orantibus, um dia de oração para as freiras enclausuradas “totalmente dedicadas a Deus em oração, silêncio e retiro”.

Foi no dia 21 de novembro de 1964 que o Papa Paulo VI, na clausura da 3ª Sessão do Concílio Vaticano II, consagrou o mundo ao Coração de Maria e declarou Nossa Senhora Mãe da Igreja.

No Brasil

A escritora Nilza Botelho Megale, no seu livro intitulado 'Cento e Sete Invocações da Virgem Maria no Brasil', publicado pela Editora Vozes, Petrópolis, 1980, afirma que no Brasil, a primeira Paróquia dedicada a esta invocação, foi a de Natal, no Rio Grande do Norte, fundada em 1599. Segundo o historiador Luís da Câmara Cascudo: “Na capela-mor daquela matriz se colocou pouco depois um grande e famoso quadro de pintura, em que se vê o mesmo mistério da Senhora historiado…A sua festividade se lhe celebra em 21 de novembro, que é o dia em que a Senhora foi oferecida ao Senhor da Glória”.

A cidade de Porto Calvo, em Alagoas, campo de diversas batalhas entre brasileiros e tropas invasoras durante a guerra holandesa, tem também como padroeira a Nossa Senhora da Apresentação.

No Rio de Janeiro, Bairro de Irajá, em 1613 foi construída uma capelinha. Só em 1644 se instituiu a Paróquia de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá. A Matriz foi confirmada por Alvará de D. João IV em 10 de fevereiro de 1647. A capela é uma das jóias da arquitetura religiosa do Rio de Janeiro e a segunda mais antiga da municipalidade.

Na arte

As representações ocidentais geralmente se concentram na figura sozinha da jovem Maria subindo os degraus do Templo, tendo deixado para trás os pais e subindo na direção do sumo sacerdote e de outras pessoas no Templo. O tema também é uma das cenas habituais nos ciclos maiores sobre a Vida da Virgem, embora ele não seja geralmente uma das cenas mostradas nos livros de horas.

Fonte: Portal A12.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O que é a Liturgia das Horas e qual a sua importância?


A essência da Liturgia das Horas é a santificação das horas do dia do cristão, através das várias horas canônicas.

Após a reforma promovida pelo Concílio Vaticano II existem cinco ou sete horas canônicas. São elas: Ofício das Leituras, para ser recitado de madrugada, contudo, reconhecendo as necessidades de adaptação do homem moderno, a Igreja diz que pode ser recitado ao longo do dia, desde que se mantenha o caráter de vigília.

Laudes ou Oração da Manhã, que é uma oração de louvor dado a Deus pela vida recebida. Atualmente composta de um Salmo, um hino do Antigo Testamento e um Salmo de louvor, de onde provém o nome. Existem alguns outros elementos nessa oração, mas o coração é este mencionado. É nesta hora canônica que se recita o Benedictus ou o Cântico de Zacarias.

Hora média, que pode se desdobrar em mais três: tércia, próxima das 09h00, sexta, próxima do meio dia e noa, próxima das 15h00. Elas podem ser recitadas como sendo uma só, para não multiplicar excessivamente os horários canônicos.

Vésperas ou Oração da Tarde, composta por dois Salmos e um hino do Novo Testamento. Recita-se nessa hora o Magnificat, que é o Cântico de Nossa Senhora.

Por fim, as Completas ou Oração da Noite, composta por um Salmo e o hino de Simeão.

Esta é a essência das cinco horas canônicas da Liturgia das Horas que pode e deve ser recitada por todos os fiéis. Contudo, existem algumas pessoas que são obrigadas a rezá-las. É o caso dos sacerdotes e dos religiosos, mas nada impede que todos a recitem.

O Concílio Vaticano II incentivou a que, cada vez mais, se recite a Liturgia das Horas com a comunidade dos fiéis, para que esse tesouro da Igreja não fique reservado somente aos padres, mas que seja distribuido também aos fiéis, para que possam santificar o dia por meio da oração.

Para a oração, nada melhor do que utilizar a própria Palavra de Deus para falar com Ele. Por isso, a récita da Liturgia das Horas é uma escola de oração. Jesus Cristo recitou também os Salmos. Os Apóstolos igualmente. Da mesma forma, a Igreja continua recitando esta belíssima liturgia ao longo dos séculos.

O Papa Paulo VI ao promulgar a reforma da Liturgia das Horas, através da Constituição Apostólica Laudis Canticum, iniciou-a com uma frase que oferece a nota teológica da Liturgia das Horas. Ele disse:
O CÂNTICO DE LOUVOR que ressoa eternamente nas moradas celestes, e que Jesus Cristo, Sumo Sacerdote, introduziu nesta terra de exílio, foi sempre repetido pela Igreja, durante tantos séculos, constante e fielmente, na maravilhosa variedade de suas formas.
Assim, quando se recita as orações da Liturgia das Horas louva-se a Deus, na terra, fazendo um louvor que no céu é incessante. Na santificação do dia, das horas, no tempo, a realidade da eternidade se faz presente. Também nós queremos, por meio do louvor, transformar a nossa vida em história de salvação.


Você pode Acessar a Liturgia das Horas online, clicando AQUI.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Nossa Senhora de Fátima comemora 100 anos


Papa Francisco estará em Fátima para centenário das aparições.[1]

Da Redação, com Santuário de Fátima

O Papa Francisco estará em Fátima, Portugal, nos dias 12 e 13 de maio de 2017 para o Centenário das Aparições. A informação foi divulgada pelo Santuário de Fátima, que recebeu a confirmação do Vaticano através da Sala de Imprensa.

“Por ocasião do Centenário das Aparições da Bem-Aventurada Virgem Maria na Cova da Iria, e acolhendo o convite do presidente da República e dos bispos portugueses, Sua Santidade o Papa Francisco irá em peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima de 12 a 13 de maio de 2017”, refere uma nota da Santa Sé.


Para o bispo de Leiria-Fátima, Dom Antônio Marto, este é um momento de extrema alegria. “Sempre que o Papa peregrina como pastor universal é toda a igreja que peregrina com ele e por isso, nesta ocasião quero exprimir o júbilo e o regozijo que o anúncio oficial desta peregrinação do Santo Padre traz a todo o povo português e a toda a Igreja em Portugal”.

Dom Marto destacou também a responsabilidade do Santuário, pois não se trata de acolher o Santo Padre apenas como peregrino e pastor, mas de acolher a mensagem que ele vai levar.

Também o reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, falou da grande alegria com a confirmação da data da visita de Francisco à Cova da Iria. “É uma alegria porque sabemos que esses dias serão de uma peregrinação marcada por essa festividade que é o centenário, e por outro lado, porque assinala a presença de um Papa no meio de nós e de um Papa tão amado como é o Papa Francisco”, afirmou padre Carlos Cabecinhas, que também ressaltou a responsabilidade de nos preparar a visita através da oração.

O programa da visita do Papa à Cova da Iria só será divulgado posteriormente.

Papas em Fátima

Francisco será o quarto Papa a visitar Fátima, depois de Paulo VI (1967), João Paulo II (1982, 1991 e 2000) e Bento XVI (2010).

As viagens internacionais dos Papas são uma novidade que remonta à segunda metade do século XX, com o pontificado de Paulo VI (1897-1978), que na última sessão do Concílio Vaticano II anunciou a intenção de entregar a Rosa de Ouro a Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Paulo VI quis ir a Fátima como peregrino em 13 de maio de 1967. João Paulo II, que em 13 de maio de 1981 tinha sido atingido com um tiro na Praça São Pedro, em um atentado contra a sua vida, foi à Cova da Iria um ano depois, agradecer publicamente a intercessão de Nossa Senhora de Fátima na sua recuperação.

Em maio de 1982, no aniversário desse primeiro atentado contra a sua vida, Karol Wojtyla (1920-2005) chegava a Fátima para “agradecer à Divina Providência neste lugar que a mãe de Deus parece ter escolhido de modo tão particular”.

O Papa polonês, hoje santo, voltou a Portugal nove anos depois. Em 10 maio de 1991, João Paulo II celebrou Missa no Estádio do Restelo e viajaria depois para os Açores e Madeira, antes de centrar-se no Santuário de Fátima, nos dias 12 e 13 maio.

Em 12 e 13 maio de 2000, já com a saúde debilitada, João Paulo II regressou a Portugal, para presidir a beatificação dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto. Na mesma ocasião, deu-se o anúncio da publicação da terceira parte do chamado “Segredo de Fátima”.

Bento XVI visitou Portugal de 11 a 14 de maio de 2010, para assinalar o décimo aniversário da beatificação de Francisco e Jacinta Marto, com passagens por Lisboa, Fátima e Porto.

Em 2017 será a vez de Francisco. Tal como Paulo VI, centrará a visita exclusivamente na Cova da Iria, onde em 13 de maio de 2013 o então patriarca de Lisboa, Cardeal José Policarpo, consagrou o pontificado do Papa argentino à Virgem Maria.

Santuário de Fátima - História [2]

O Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima nasceu a partir da devoção à Virgem de Fátima. No local onde Nossa Senhora apareceu para as três crianças foi construída uma capela, hoje conhecida como Capelinha das Aparições.

Além da capela, integram o complexo do Santuário o Recinto / Esplanada do Rosário, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário e colunatas, casa de retiros de Nossa Senhora do Carmo e Reitoria, casa de retiros de Nossa Senhora das Dores e albergue para doentes, praça Pio XII e Centro Pastoral Paulo VI, Basílica da Santíssima Trindade, Capela do Lausperene e a Capela da Reconciliação.

O projeto do Santuário foi criado pelo arquiteto holandês Gerardus Samuel van Krieken e executado por João Antunes, arquiteto português. No dia 13 de maio de 1928, foi benzida a primeira pedra pelo arcebispo de Évora, dom Manuel Mendes de Conceição Santos. A sagração aconteceu no dia 7 de outubro de 1953. No ano seguinte, o Papa Pio XII concedeu o título de basílica ao Santuário de Fátima.
História das aparições

As aparições de Nossa Senhora em Fátima começaram no dia 13 de maio de 1917, e tiveram como protagonistas três crianças que pastoreavam um pequeno rebanho, na Cova da Iria, freguesia de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém.

Lúcia de Jesus, de 10 anos, e seus primos Francisco e Jacinta Marto, de 9 e 7 anos, respectivamente, saíram de casa após rezar o terço para brincar nas imediações, onde construíam uma pequena casa de pedras.

Enquanto mexiam nas pedras, viram uma luz brilhante, parecida com um relâmpago. Decidiram ir embora, mas foram surpreendidos por outro clarão, que logo se transformou em uma senhora segurando um terço branco.

A Senhora disse as pastorinhos que era preciso rezar muito, convidando-os a voltar ao local durante cinco meses consecutivos, sempre no dia 13, no mesmo horário.
Elas então voltaram e, nos dias 13 de junho, julho, setembro e outubro, a Senhora apareceu novamente. No dia 19 de agosto, a aparição aconteceu em outro local.
Na última aparição, ocorrida no dia 13 de outubro, a Senhora apareceu para as crianças e um grupo de 70.000 pessoas. Ela afirmou ser a “Senhora do Rosário” e então pediu que ali fosse construída uma capela em sua honra.

Após a aparição, o sol mudou de cor, ficando parecido com um disco de prata, e podia ser observado sem dificuldade. Além disso, girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo aproximar-se da Terra. Cumpria-se, então, o que a Virgem havia anunciado às crianças nas aparições de julho e setembro.

A Virgem de Fátima voltou a aparecer para Lúcia, que já era uma religiosa de Santa Doroteia, em 10 de dezembro de 1925, 15 de fevereiro de 1926 e na noite de 13 para 14 de junho de 1929. Nessas aparições, ela pediu a devoção dos cinco primeiros sábados, para que rezasse o terço, meditasse os mistérios do Rosário, confessassem-se e recebessem a Sagrada Comunhão, em reparação aos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria. Ela também pediu a consagração da Rússia ao mesmo Imaculado Coração – repetindo o que já havia pedido em julho de 1917.

Anos depois, irmã Lúcia revelou que, entre abril e outubro de 1916, havia presenciado a aparição de um Anjo junto com os outros dois pastorinhos. O Anjo convidou-os à oração e à penitência.

Desde que aconteceram as aparições, o número de peregrinos em Cova da Iria só começou a aumentar. As peregrinações começaram a acontecer nos dias 13 de cada mês e foram intensificando-se, hoje ultrapassando os cinco milhões de visitas anuais.

Símbolo oficial do Centenário das Aparições de Fátima [3]


Memória descritiva

Imagem do amor incondicional, o Coração de Maria está configurado de forma plena com o Coração de Deus. O Símbolo do Centenário das Aparições de Fátima, tomado a partir da escultura "No Coração de Maria", da autoria de Cristina Rocha Leiria, pretende recordar a todos que é possível encontrar em Maria a imagem do amor misericordioso de Deus por toda a humanidade.

Assim o experimentaram Francisco, Jacinta e Lúcia e assim o pode experimentar cada peregrino da Senhora do Rosário, colocando-se diante do coração e vendo a sua face dentro desse símbolo universalmente lido como imagem do Amor.

Ao entrarmos no Coração de Maria, temos a certeza de chegarmos a Deus, como lembra o lema escolhido para celebrar o Centenário das Aparições de Fátima: «O meu Coração Imaculado conduzir-vos-á até Deus» (Memórias da Irmã Lúcia).

Logotipo da visita do Papa Francisco a Fátima[4]

Fátima (RV) - Foi apresentado o logotipo da vigem do Papa Francisco a Fátima, Portugal, programada para 12 e 13 de maio próximo. O emblema estará disponível em vários suportes e no cartaz oficial da visita papal.

Em declarações aos jornalistas, o Reitor do Santuário de Fátima, Pe. Carlos Cabecinhas, coordenador geral da visita do Papa, frisou que a nova imagem gráfica pretende retratar o "estilo de simplicidade e clareza" que caracteriza o Papa Francisco.

O logotipo, desenhado por Francisco Providência, apresenta o desenho de um coração, feito com as contas do rosário, rematadas por uma cruz. Dentro do coração está escrito: “Papa Francisco - Fátima 2017”. Abaixo do coração, do lado de fora, se encontra o lema da visita papal “Com Maria, Peregrino na Esperança e na Paz” e o logótipo das comemorações do centenário das aparições.

À nova imagem gráfica surge associada, no cartaz, uma fotografia do Papa Francisco com um sorriso, acenando com a mão esquerda.

“Procurámos valorizar a proximidade física e simpática do Papa, que, sorridente, acena com a mão num gesto de saudação e bênção”, refere o autor da imagem, Francisco Providência.
Esta imagem irá acompanhar toda a comunicação da visita do Papa, tanto no site quanto nas redes sociais.

(MJ/Santuário de Fátima)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Devoção das 1000 Ave-Marias

Como surgiu a Devoção das mil Ave-Marias a Nossa Senhora?

Ave maria devoção às Mil Ave-Marias faz parte da tradição religiosa no Brasil e, antigamente, era sempre rezada, trazendo muitas graças aos participantes.

As Mil Ave-Marias não têm nenhuma ligação com Medjugorje, como muitos pensam. As mensagens de fé comunicadas por Nossa Senhora e citadas nas folhas das Mil Ave-Marias em forma de “super-rosário” não foram tiradas das revelações de Nossa Senhora em Medjugorje, mas, sim, de suas aparições em Montechiari, com o título de Nossa Senhora da Rosa Mística e do livro do Pe. Gobbi: Aos sacerdotes, filhos prediletos de Nossa Senhora (Movimento sacerdotal Mariano).

Nossa Senhora chorou em Montechiari, pedindo oração, sacrifício e penitência para salvar o mundo. Mas nossa querida Mãe nunca fez ameaças, somente orientou, como uma mãe que quer proteger seus filhos dos perigos que podem acontecer se não houver oração e conversão.

É verdade que todas as orações devem vir do coração, seja uma Ave-Maria ou Mil Ave-Marias!

As Mil Ave-Marias são feitas em forma de um “super-rosário” bem meditado sobre todos os mistérios da nossa salvação e com a benção da paz que Nossa Senhora comunicou ao Pe. Gobbi no dia 24 de outubro de 1984. A oração possui grande poder! Por isso, é necessário rezar muito! Obtém-se mais com um dia de oração intensa do que com anos de contínuas discussões. O “super-rosário” das Mil Ave-Marias, acrescido de sacrifícios, leva a um dia de oração intensa.




Vamos ajudar Nossa Senhora nesta batalha contra o mal, combatendo com a oração das Mil Ave-Marias em forma do “super-rosário”.

Oração:

Cada mistério consiste de 1 Pai-Nosso, 50 Ave-Marias,

1 Glória-ao-Pai.

Rezamos 20 mistérios assim distribuídos: 20 vezes o Pai-Nosso, 20 vezes 50 Ave-Marias, 20 vezes o Glória-ao-Pai e assim recitamos as Mil Ave-Marias.

Durante a oração das Mil Ave-Marias, devemos meditar sobre os Mistérios do Rosário. Contemplamos também as Cinco Chagas de Jesus:

Chaga de Jesus: mão direita;o_socorro_de_maria_nova_capa

Chaga de Jesus: mão esquerda;

Chaga de Jesus: pé direito;

Chaga de Jesus: pé esquerdo;

Chaga de Jesus: Seu coração transpassado.

Retirado do livro:  O Socorro da Virgem Maria e suas sete dores


Fonte: Site Cleofas, por Prof. Felipe Aquino em 01/12/15.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus


A Igreja proclama um único Deus no Pai e no Verbo, por isso, a Santíssima Virgem é a Mãe de Deus

Oitavas de Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que graça para nós começarmos o primeiro dia do ano contemplando este mistério da encarnação que fez da Virgem Maria a Mãe de Deus!

Este título traz em si um dogma que dependeu de dois Concílios, em 325 o Concílio de Nicéia, e em 381 o de Constantinopla. Estes dois concílios trataram de responder a respeito desse mistério da consubstancialidade de Deus uno e trino, Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

No mesmo século, século IV, já ensinava o bispo Santo Atanásio: “A natureza que Jesus Cristo recebeu de Maria era uma natureza humana. Segundo a divina escritura, o corpo do Senhor era um corpo verdadeiro, porque era um corpo idêntico ao nosso”. Maria é, portanto, nossa irmã, pois todos somos descendentes de Adão. Fazendo a relação deste mistério da encarnação, no qual o Verbo assumiu a condição da nossa humanidade com a realidade de que nada mudou na Trindade Santa, mesmo tendo o Verbo tomado um corpo no seio de Maria, a Trindade continua sendo a mesma; sem aumento, sem diminuição; é sempre perfeita. Nela, reconhecemos uma só divindade. Assim, a Igreja proclama um único Deus no Pai e no Verbo, por isso, a Santíssima Virgem é a Mãe de Deus.

No terceiro Concílio Ecumênico em 431, foi declarado Santa Maria a Mãe de Deus. Muitos não compreendiam, até pessoas de igreja como Nestório, patriarca de Constantinopla, ensinava de maneira errada que no mistério de Cristo existiam duas pessoas: uma divina e uma humana; mas não é isso que testemunha a Sagrada Escritura. porque Jesus Cristo é verdadeiro Deus em duas naturezas e não duas pessoas, uma natureza humana e outra divina; e a Santíssima Virgem é Mãe de Deus.


Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós!

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A Bíblia não é uma série de histórias desconectadas!...

Hoje pela manhã (28/09) recebi em meu WhatsApp um vídeo lindo que só falando sobre a Bíblia! E fiquei encantado primeiro com a beleza do vídeo e depois mais ainda quando pude ouvir seu áudio!


Esse merece ser compartilhado! Não consegui achar este vídeo no You Tube, mas vou colocar o link aqui para você poder assistir no seu perfil no Facebook. Este vídeo é original deste site (https://www.danstevers.com/) que esta em inglês, mas vale a pena ver! 

Espero que gostem! 

domingo, 25 de setembro de 2016

“Ano Mariano é para celebrar, comemorar e reaprender com Nossa Senhora”, afirma CNBB.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou oficialmente o Ano Mariano, na última quarta-feira (21), com uma celebração na sede da entidade, em Brasília (DF). A cerimônia contou com a participação da presidência da CNBB, membros do Conselho Episcopal Pastoral (Consep), organismos vinculados à Conferência e colaboradores que atuam na sede.
Foto de: CNBB.

Na ocasião, com a ajuda dos colaboradores, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi entronizada no auditório da CNBB e posta no centro do espaço. Leituras bíblicas, cantos, textos reflexivos e uma mensagem do papa Francisco foram meditados, lembrando a devoção à Rainha e Padroeira do Brasil.

De acordo com o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha, o período convida os brasileiros a voltarem o coração para Nossa Senhora. “É um ano para celebrar, para comemorar, para louvar a Deus, mas também para reaprender com Nossa Senhora como seguir Jesus Cristo, como ser cristão hoje”, enfatizou.

O bispo falou também sobre as expectativas para o Ano. “Nós esperamos muito que o Ano Mariano possa ser de intensa evangelização com Maria, contando com a sua proteção, seguindo os seus exemplos, mas sendo essa Igreja em saída, essa Igreja misericordiosa, que a exemplo de Nossa Senhora vai ao encontro dos irmãos para compartilhar a alegria do Evangelho de Jesus Cristo – alegria da fé em Cristo”, disse.


No final, dom Sergio exortou para que o Ano Mariano seja vivido intensamente por toda a Igreja no Brasil. “Que este momento seja para a evangelização, para a missão, tendo presente o exemplo, as lições que Nossa Senhora nos deixa, mas também recorrendo com confiança a sua intercessão materna”, finalizou o bispo.

Ano Nacional Mariano

O Ano Nacional Mariano foi proclamado pela CNBB, em comemoração aos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nas Águas do Rio Paraíba do Sul. A iniciativa será celebrada a partir do dia 12 de outubro até o dia 11 de outubro de 2017.
Em carta enviada aos bispos de todo o Brasil, a presidência da CNBB considera a celebração dos 300 anos “uma grande ação de graças” e recorda que todas as dioceses do país se preparam, desde 2014, recebendo a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora, que percorre cidades e periferias.  Confira, abaixo, a mensagem na íntegra:
Mensagem à Igreja Católica no Brasil

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, em comemoração aos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nas águas do rio Paraíba do Sul, instituiu o Ano Nacional Mariano, a iniciar-se aos 12 de outubro de 2016, concluindo-se aos 11 de outubro de 2017, para celebrar, fazer memória e agradecer.

Como no episódio da pesca milagrosa narrada pelos Evangelhos, também os nossos pescadores passaram pela experiência do insucesso. Mas, também eles, perseverando em seu trabalho, receberam um dom muito maior do que poderiam esperar: “Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe”. Tendo acolhido o sinal que Deus lhes tinha dado, os pescadores tornam-se missionários, partilhando com os vizinhos a graça recebida. Trata-se de uma lição sobre a missão da Igreja no mundo: “O resultado do trabalho pastoral não se assenta na riqueza dos recursos, mas na criatividade do amor” (Papa Francisco).

A celebração dos 300 anos é uma grande ação de graças. Todas as dioceses do Brasil, desde 2014, se preparam, recebendo a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que percorre cidades e periferias, lembrando aos pobres e abandonados que eles são os prediletos do coração misericordioso de Deus.

O Ano Mariano vai, certamente, fazer crescer ainda mais o fervor desta devoção e da alegria em fazer tudo o que Ele disser (cf. Jo 2,5).

Todas as famílias e comunidades são convidadas a participar intensamente desse Ano Mariano.

A companhia e a proteção maternal de Nossa Senhora Aparecida nos ajude a progredir como discípulas e discípulos, missionárias e missionários de Cristo!

Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília-DF
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de S. Salvador da Bahia-BA
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília-DF
Secretário-Geral da CNBB

Fonte: CNBB e publicado no site A12 em 23 de setembro de 2016.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Bendita Árvore da Cruz: O Madeiro Sagrado do Amor


Cruz. Mistério incompreensível à racionalidade humana, causador de espanto e encanto, pavor e tremor. Verdadeira expressão de trevas e luz, derrota e vitória, morte e vida, ódio e amor um real símbolo permeado por antagonia em sua designação. Qualificação contraditória talvez? Não, pois na realidade sua qualificação primeira de maldição e pavor sede lugar a de benção e esperança. Sua primeira qualificação é capaz de causar arrepios em quem contempla sua finalidade original, instrumento de suplício. Pessoas nela pendiam para findar suas existências de maneira cruel. Assim usada como símbolo de maldição, castigo e tortura, maneira de malfeitores pagarem suas dívidas de maneira terrível. Cruz – é então árvore que saída do chão produz um amargo fruto, a MORTE. Contudo o que antes era sinônimo de morte transforma-se em VIDA, quando a própria vida, o Cristo Jesus, nela pendeu concedendo a redenção a humanidade maculada pelo pecado. Tal redenção já fora anunciada no Antigo Testamento, basta que se relembre o ocorrido quando o povo desobediente se rebelou contra Deus e Moisés e foram castigados com picadas de serpentes venenosas. Moisés o grande intercessor do povo rogou por ele ao seu Senhor e conquistou a graça. Deus em sua misericórdia ordena que uma serpente de bronze fosse colocada sobre uma haste e quem olhasse para tal símbolo fosse salvo. Contudo no Novo Testamento Cristo não levanta um símbolo, mas confere significado ao antigo, elevando a si mesmo em súplica ao Pai. Nele o que causava repulsa torna-se objeto de atração para àquele que deseja a redenção e a vida.

Que ambiguidade, um objeto, dois sentidos, madeiro de maldição re-significado pela própria vida. Madeiro lavado, pelo precioso sangue redentor, de sua maldade. Madeiro que era para castigo para aqueles que deviam, carrega em si aquele que se fez devedor justificando toda a humanidade. Ponte de morte que hoje conduz a vida. Sem deixar de ser símbolo de sofrimento passa a ser sinal de esperança.


“Ave, ó cruz, única esperança!”. Madeiro no qual pendeu a salvação do mundo. Altar da perfeita redenção, coroa do cristão, que por ti reinem os filhos de Deus sobre o mal. Que em tua loucura o homem vença a astucia do mal. Pois, se “em Adão a árvore da vida tornou-se árvore da morte”, hoje a certeza é que em Cristo a da morte torna-se árvore da vida. Ó Madeiro Sagrado! Ó Bendita Árvore da Cruz, cujo fruto é o mais doce de todos, o Amor…